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	<title>Litost</title>
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		<title>Prova de Filosofia &#8211; Vestibular UFSM Dezembro 2011</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 18:17:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofança]]></category>
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		<description><![CDATA[Há quase dois anos comentei (muito mal, diga-se de passagem) as questões de filosofia da prova do vestibular da UFSM. Volto à fazê-lo. Minha primeira observação é que as questões desse ano foram elaboradas de forma que consegui distingui-las das demais disciplinas sem muita dificuldade, o que considero um mérito dos elaboradores. Evidentemente, a capacidade de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1460&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Há quase dois anos comentei (muito mal, diga-se de passagem) as questões de filosofia da prova do vestibular da UFSM. Volto à fazê-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha primeira observação é que as questões desse ano foram elaboradas de forma que consegui distingui-las das demais disciplinas sem muita dificuldade, o que considero um mérito dos elaboradores. Evidentemente, a capacidade de pensar questões filosóficas dentro do registro de outras disciplinas (ou seja, a posse de um mínimo de erudição) pode ser considerado um dos elementos que distinguem um bom professor/filósofo de um mau. Mas penso que o sacrifício da disciplina na dissolução de sua especificidade não precisa ser realizado.</p>
<p style="text-align:justify;">Das oito questões, penso que havia uma difícil, uma fácil e seis &#8220;médias&#8221;. Vamos à elas.</p>
<p style="text-align:center;">• • •</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-19.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1461" title="Vestibular Filosofia UFSM - Questão 19" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-19.jpg?w=450&#038;h=280" alt="" width="450" height="280" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Questão interessante. Sobretudo por apresentar uma legítima questão filosófica dentro do contexto da literatura universal. Tendo em vista que algumas perspectivas filosóficas considerarão a literatura uma espécie de &#8220;laboratório filosófico&#8221; (para desespero das pessoas das Letras), questões acerca de moralidade na obra de Tolstói &#8211; tão rica de questões filosóficas &#8211; foi um excelente achado. Embora não fosse uma questão &#8220;fácil&#8221;, parece-me que sua solução não dependia de muito mais do que leitura e compreensão textual, bem como relativa apropriação de conceitos como &#8220;subjetivo&#8221; e &#8220;objetivo&#8221;, palavras que não são exatamente &#8220;propriedade&#8221; de filósofos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-21.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1462" title="Vestibular Filosofia UFSM - Questão 21" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-21.jpg?w=450&#038;h=241" alt="" width="450" height="241" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Bela questão. Dias atrás, discutia com alguns colegas sobre uma espécie de &#8220;empobrecimento do campo de experiências&#8221; mediante falta de vocabulário. Fazia referência especificamente ao conceito de &#8220;metáfora&#8221; que, em minha opinião, pode constituir um verdadeiro reino intermediário entre a Verdade e a Mentira. Questão média, que pedia o conhecimento do que seja um &#8220;argumento indutivo&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-23.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1463" title="Vestibular Filosofia UFSM - Questão 23" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-23.jpg?w=450&#038;h=303" alt="" width="450" height="303" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Appiah é um dos principais expoentes da filosofia na África. Mas a questão, se não estou exagerando, não pede mais do que conhecimentos básicos sobre a moral kantiana. A questão do racismo, tal como apresentada por Appiah, é passada pelo crivo do Imperativo Categórico e apresentada em sua impossibilidade de universalização.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-26.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1464" title="Vestibular Filosofia UFSM - Questão 26" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-26.jpg?w=450&#038;h=232" alt="" width="450" height="232" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Embora meu &#8220;primeiro filósofo&#8221; tenha sido Schopenhauer e a relação entre arte e filosofia seja uma das coisas que mais me interessa, essa foi para mim a questão mais difícil da prova. Pois o parágrafo, em minha opinião, apresenta três perspectivas sobre expressão artística: em Aristóteles, a arte é uma expressão <em>humana</em>. Mas em Schopenhauer (e aparentemente em Hsun Tzu também) a arte é expressão também, mas expressão de uma realidade metafísica. Titubeei um pouco nessa questão provavelmente em função do meu relativo &#8220;excedente&#8221; de conhecimento necessário para solucionar a questão. Mesmo assim eu acrescentaria, só por precaução, a palavra &#8220;humana&#8221; depois de &#8220;expressão&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-34.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1465" title="Vestibular Filosofia UFSM - Questão 34" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-34.jpg?w=450&#038;h=192" alt="" width="450" height="192" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Essa, por sua vez, me pareceu a questão mais fácil. Exige que se saiba o que seja uma &#8220;conseqüência lógica&#8221;. Mas um candidato um pouco mais maroto pode ter percebido, sem estudar filosofia, que a única alternativa que se deduzia da proposição na caixa cinza era a última, pois todas as outras exigiam um pouco mais de informação e/ou não se seguiam da afirmação do ordenado da questão.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-38.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1466" title="Vestibular Filosofia UFSM - Questão 38" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-38.jpg?w=450&#038;h=290" alt="" width="450" height="290" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Essa questão exigia um pouquinho de trânsito por manuais e textos de filosofia, no mínimo. Na primeira afirmação hipotética sobre o texto, encontramos a expressão &#8220;apenas suficiente&#8221;. Eis um dos temas mais interessantes de se explorar em prova: a relação entre as condições &#8211; lógicas ou epistemológicas &#8211; de necessidade e suficiência. Questão interessante sobre a importância antropológica da linguagem e sua relação com a instauração da própria humanidade. Tendo-se prestado atenção às aulas certas e sabendo-se ler um texto, uma questão de dificuldade média.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-39.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1467" title="Questão 39" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-39.jpg?w=450&#038;h=176" alt="" width="450" height="176" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Ok, aqui eu confesso que se não fosse a expressão &#8220;linguagem proposicional&#8221; eu teria falhado em identificar a questão como &#8220;questão de filosofia&#8221;. Mesmo assim, é uma boa questão que se ancora no tamanho expressivo do enunciado da questão anterior e pede pouco, sem muita frescura. Pensei e repensei, porque as três alternativas pareciam corretas. Mas realmente estavam, segundo o gabarito. Quem prestou vestibular para filosofia, gostou dessa questão e for aprovado já pode ir se encaminhando para a filosofia da linguagem.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-41.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1468" title="Questão 41" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/questc3a3o-41.jpg?w=450&#038;h=154" alt="" width="450" height="154" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Essa foi minha questão preferida. Não sei se foi porque se trata de uma questão de &#8220;filosofia e filosofia&#8221; que, sobretudo, pensa a natureza de uma outra disciplina e usa vocabulário técnico &#8211; ou seja, prima pelo conhecimento do conteúdo, não apenas pela capacidade de ler e compreender um texto. Também pode ter sido porque depois de acertar as outras sete, acertei essa só passando o olho, como fiz com a questão 34. De dificuldade média, os termos especificamente filosóficos fazem com que seja uma questão que só foi fácil pra quem estudou pra prova de filosofia.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">• • •</p>
<p style="text-align:justify;">Se eu estivesse fazendo vestibular hoje em dia e fosse uma pessoa que prefere as disciplinas sociais e humanas, não teria me assustado muito com a prova de filosofia. Mas, vou fazer o teste com algumas pessoas e verificar se já não é a impressão distorcida de quem lida com isso há quase dez anos.</p>
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		<title>Bagageiro, felicidade e outros mistérios</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 23:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despojos]]></category>
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		<description><![CDATA[Não, ainda não abandonei este blog &#8211; embora já o tenha tentado algumas vezes. Prometi a mim mesmo que só voltaria a escrever assim que estivesse satisfeito com meu ritmo de redação da dissertação. Acho que atingi algumas metas que estabeleci para mim mesmo. Assim, volto a falar por aqui em um dia de relativa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1450&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não, ainda não abandonei este blog &#8211; embora já o tenha tentado algumas vezes.</p>
<p style="text-align:justify;">Prometi a mim mesmo que só voltaria a escrever assim que estivesse satisfeito com meu ritmo de redação da dissertação. Acho que atingi algumas metas que estabeleci para mim mesmo. Assim, volto a falar por aqui em um dia de relativa importância, pois hoje foi provavelmente a última aula de um ciclo que se iniciou em março de 2004. Hoje, as 17h, quando o prof. Noeli Rossato encerrou a disciplina que ofereceu neste semestre para os alunos da pós-graduação em filosofia da UFSM, percebi que era a última.</p>
<p style="text-align:justify;">Na verdade, eu já sabia que era a última desde o momento em que pisei no CCSH 74 hoje pela manhã. Sabia que era a última quando conversei com os colegas sobre o futuro profissional e sabia que era a última quando almocei no RU. Tinha consciência disso enquanto rememorava alguns episódios prosaicos desses últimos anos. Rememorava mas não &#8220;re-sentia&#8221;, ou pelo menos não &#8220;re-sentia&#8221; no sentido mais negativo do verbo. Lembranças melancólicas repovoavam alguns locais onde histórias aconteceram. Outros locais, contudo, sequer existem mais: rememorar episódios é recriar também os cenários, pelo menos por alguns instantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, voltando ao presente, já que o que importa é sempre o futuro&#8230; Sem dúvida o momento mais &#8220;intenso&#8221; desde minha última manifestação por aqui foi o emblemático episódio do assalto à excursão que nos levaria à Toledo. Assalto que vivi apenas parcialmente, pois dormia um sono tão pesado que só percebi o que se passava enquanto era educadamente conduzido até o bagageiro do ônibus onde, ao lado de todos os colegas, deveria esperar os assaltantes fugirem. Tive medo de que minha claustrofobia fosse me matar, confesso, e não esbocei reação. Não pensei em nada, e não imaginava como escapar daquela situação. Sequer meu telefone foi roubado, mas mesmo assim foi inútil: não consegui sequer ligar para a polícia de dentro do bagageiro, pois não havia sinal. Felizmente, um colega arrebentou a porta por dentro e saímos. Mas não fomos mais à Toledo e não pudemos apresentar nossos trabalhos. Confesso que passado o susto, minha maior e egoística tristeza foi a de constatar que não poderia &#8220;desvendar o mistério da liberdade&#8221; em Toledo. Nem tampouco &#8211; e principalmente &#8211; pude ter a felicidade de passar na cidade uma semana agradável como foi a visita de 2010.</p>
<p style="text-align:justify;">Felicidade, aliás, foi o assunto da semana anterior, pois um professor, durante palestra, teve a ideia de mencionar minha humilde pessoa em uma lista de &#8220;filósofos que não acreditam na felicidade&#8221; ou talvez, mais precisamente, &#8220;filósofos que não acreditam que a filosofia produza felicidade&#8221;. Algo assim. Não sei, pois não estando presente, só soube do fato segundo relatos de colegas. Confesso que não entendi. Mas, começo a aceitar que não se deve ficar ofendido quando se é mal-compreendido. Pois recordo que disse mesmo que a filosofia não tem o <em>dever</em> de pensar a felicidade. Em primeiro lugar, porque filosofia pode ser &#8220;filosofia da matemática&#8221;, por exemplo, e não ter nada a ver com ideias de &#8220;felicidade&#8221;. E em segundo lugar porque outros domínios da cultura &#8211; como a religião ou a arte &#8211; podem ter muito mais a oferecer no que diz respeito à proporcionar felicidade, bem-estar, etc, do que a reflexão filosófica. Afinal, a menos que felicidade seja uma ideia necessariamente atrelada à de esclarecimento e libertação &#8211; e sabemos que não é &#8211; não creio que toda a desconstrução conceitual e transformação pessoal que o estudo da filosofia pode oferecer seja uma garantia ou sinônimo de felicidade. Que a filosofia possa pensar a felicidade, isso é indiscutível. Que ela seja uma fonte da mesma, discordo: a reflexão filosófica parece possuir, por excelência, o poder de esclarecer e emancipar o pensar. Pode &#8211; ou não &#8211; fazê-lo feliz. A filosofia parece comprometida com a tarefa de <em>corrigir</em> o pensar, não de <em>alegrá-lo</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Infelizmente, não pude ir para Toledo falar da correção do pensar (e do viver) à qual Jean-Paul Sartre nos convida com sua filosofia. Como alguns poucos leitores aqui sabem, é disso que me ocupo, é isso que estudo. &#8220;O Mistério da Liberdade&#8221; é um título propositalmente metafísico (praticamente <em>místico</em>) que escolhi, carinhosamente, em tempos em que a metafísica me parece, cada vez mais, o domínio onde toda forma de <em>metáfora</em> sobre a condição humana encontra sua morada legítima, pois é onde é compreendida. A tese é relativamente simples: ao propor que a liberdade não é uma propriedade do arbítrio, mas fundamento deste e também da paixão, Sartre desautoriza concepções que pensem o plano motivacional como determinante da ação. Assim, as razões do agir &#8211; motivos e móbeis &#8211; não exercem qualquer &#8220;força magnética&#8221; sobre a escolha, exceto a força que a própria escolha lhe confere, pois é contemporânea à esta. Em suma: as motivações de uma pessoa <em>também são</em> responsabilidade da pessoa e não podem, sob hipótese alguma, servir de &#8220;pretextos&#8221; ou &#8220;desculpas&#8221; para a ação na medida em que são livremente aceitas (portanto, escolhidas). Contudo, se a liberdade escolhe até mesmo sua motivação, escolhe &#8220;motivada&#8221; pelo quê? Escolhe a partir de onde? Eis o mistério da liberdade: a liberdade (a pessoa) cria a si mesma <em>a partir do nada</em>. O que faz com que a antropologia de Sartre seja a de uma realidade humana &#8211; individual, singular, pessoal &#8211; que exige a constante manutenção (ou eventual transformação) de seu sentido. Ser humano é <em>fazer-se</em> humano e há, na filosofia de Sartre, um forte apelo à tomada de consciência da liberdade, a despeito da angústia que decorre da consciência de se saber criador solitário do sentido da própria existência. Há sempre a perpétua possibilidade de descansar em crenças que proporcionem a ilusão de substancialidade &#8211; e talvez, sobretudo, <em>estabilidade</em> &#8211; para a qual a realidade humana tende perpetuamente sem poder realizá-la (a chamada <em>má-fé</em>), mas a verdade profunda da necessidade de se refazer constantemente, a verdade da autoria do sentido da própria realidade pode assaltar o indivíduo a qualquer momento, colocando todo um projeto existencial em jogo, podendo fazê-lo implodir por inteiro.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/minha-casa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1452" title="Ruína" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/12/minha-casa.jpg?w=450&#038;h=258" alt="" width="450" height="258" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">É claro que sempre se pode tentar a manutenção de uma ruína. O convite de Sartre, contudo, é à verdade, e não à felicidade: é um convite à assunção do mistério da própria liberdade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ressentimento.wordpress.com/1450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ressentimento.wordpress.com/1450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ressentimento.wordpress.com/1450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ressentimento.wordpress.com/1450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ressentimento.wordpress.com/1450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ressentimento.wordpress.com/1450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ressentimento.wordpress.com/1450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ressentimento.wordpress.com/1450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ressentimento.wordpress.com/1450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ressentimento.wordpress.com/1450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ressentimento.wordpress.com/1450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ressentimento.wordpress.com/1450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ressentimento.wordpress.com/1450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ressentimento.wordpress.com/1450/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1450&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>My Bloody Valentine &#8211; Loveless</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 18:09:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tento imaginar a experiência de quem, em 1991, comprou esse disco&#8230; &#8230; Depois de ter ouvido o aclamado Isn&#8217;t Anything de 1988 e EPs como You Made Me Realise, de 1988/89. Então a pessoa pegou o disco&#8230; &#8230; E naturalmente colocou o Lado A pra tocar. Imagino alguém de vinte-e-poucos anos, terminando a faculdade ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1438&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Tento imaginar a experiência de quem, em 1991, comprou esse disco&#8230;</p>
<p><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/loveless-capa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1439" title="Loveless Capa" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/loveless-capa.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">&#8230; Depois de ter ouvido o aclamado <em><a href="http://www.lastfm.com.br/music/My+Bloody+Valentine/Isn%27t+Anything" target="_blank">Isn&#8217;t Anything</a></em> de 1988 e EPs como <em><a href="http://www.lastfm.com.br/music/My+Bloody+Valentine/You+Made+Me+Realise" target="_blank">You Made Me Realise</a></em>, de 1988/89. Então a pessoa pegou o disco&#8230;</p>
<p><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/disco-loveless.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1440" title="Disco Loveless" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/disco-loveless.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">&#8230; E naturalmente colocou o Lado A pra tocar. Imagino alguém de vinte-e-poucos anos, terminando a faculdade ou em um emprego mediano, sem filhos &#8211; ou com no máximo um &#8211; e morando em um apartamento pequeno. Essa pessoa &#8211; rapaz ou moça &#8211; provavelmente foi fazer um café, pegou um cigarro e, enquanto esperava o café ficar pronto, deu uma olhada na capa.</p>
<p><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/loveless-tracklist.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1441" title="Loveless Tracklist" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/loveless-tracklist.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Provavelmente, o que esse jovem rapaz, ou essa jovem moça estava ouvindo era isso:</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://ressentimento.wordpress.com/2011/09/19/my-bloody-valentine-loveless/"><img src="http://img.youtube.com/vi/oiomcuNlVjk/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">E é aqui que eu começo a me perguntar pelo tipo de experiência que essa pessoa estava tendo. Porque se essa pessoa ouviu o <em>Isn&#8217;t Anything</em>, ela pode ter ouvido também <em><a href="http://www.lastfm.com.br/music/Sonic+Youth/Sister" target="_blank">Sister</a></em>, <em><a href="http://www.lastfm.com.br/music/Sonic+Youth/Daydream+Nation" target="_blank">Daydream Nation</a></em> e o<em> <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Sonic+Youth/Goo" target="_blank">Goo</a> </em>do <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Sonic+Youth" target="_blank">Sonic Youth</a>. Com alguma sorte ela pode ter ouvido alguma coisa de <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Slowdive" target="_blank">Slowdive</a>, <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Chapterhouse" target="_blank">Chapterhouse</a> e <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Ride" target="_blank">Ride</a>. Com muita sorte ela já conhecia os <em><a href="http://www.lastfm.com.br/music/The+Jesus+and+Mary+Chain/Psychocandy" target="_blank">Psychocandy</a></em> e <em><a href="http://www.lastfm.com.br/music/The+Jesus+and+Mary+Chain/Darklands" target="_blank">Darklands</a></em> do <a href="http://www.lastfm.com.br/music/The+Jesus+and+Mary+Chain" target="_blank">The Jesus and Mary Chain</a>. Se era essa a situação, essa pessoa de sorte não voltou até a loja e pediu para trocar o disco por outro exemplar quando, na quarta faixa, ouviu isso:</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://ressentimento.wordpress.com/2011/09/19/my-bloody-valentine-loveless/"><img src="http://img.youtube.com/vi/7Kp6fOGBoYo/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Afinal, <em><a href="http://www.lastfm.com.br/music/My+Bloody+Valentine/Loveless" target="_blank">Loveless</a></em>, do <a href="http://www.lastfm.com.br/music/My+Bloody+Valentine" target="_blank">My Bloody Valentine</a>, conseguiu repetir a proeza do <em>Psychocandy </em>e mandou muitos desavisados de volta para a loja, para trocar o disco porque as músicas estavam todas com &#8220;chiado&#8221;. Chiado que não é senão o &#8220;pink fuzz&#8221; milimetricamente planejado por um <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Kevin+Shields" target="_blank">Kevin Shields</a> que, especula-se, esgotou financeiramente a <a href="http://www.creation-records.com/" target="_blank">Creation Records</a> para a produção do genial <em>Loveless</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">A imagem de Kevin Shields, com sua aparência frágil, em um estúdio, com fones de ouvido e girando <a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/kevin-shields.jpg"><img class="size-full wp-image-1442 alignleft" title="Kevin Shields" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/kevin-shields.jpg?w=450" alt=""   /></a>infinitos botões é outra imagem emblemática, que só posso imaginar. Um gênio incompreendido. Acrescentando cortinas sonoras à melodias às vezes quase <em>pop</em>, como <em>Soon</em>, ou absolutamente nada convencionais e quase ininteligíveis, como <em>Touched</em>. Um gênio que inventava, nesse disco de capa cor-de-rosa, um gênero musical: o <a href="http://www.lastfm.com.br/tag/shoegaze" target="_blank">shoegaze</a>, como ficou conhecido o gênero de tantas bandas que tocavam olhando para os próprios pés, tímidos, incapazes de encarar o público enquanto sussurravam, em meio a nuvens sonoras, suas delicadas letras sobre sentimentos frágeis. Se não inventava o gênero &#8211; que ninguém sabe dizer se começou no próprio <em>Isn&#8217;t Anything</em>, no <em>Psychocandy</em> ou até mesmo em <em><a href="http://www.lastfm.com.br/music/Cocteau+Twins/Garlands" target="_blank">Garlands</a></em>, primeiro disco dos <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Cocteau+Twins" target="_blank">Cocteau Twins</a> &#8211; conseguia reunir e sintetizar toda a cena em torno desse disco, realização máxima do estilo, o sentido da história de toda chiadeira daqueles anos. Kevin Shields. Um gênio de vinte-e-poucos anos que atrasou UM ANO INTEIRO o lançamento do disco porque provavelmente não achava nunca que as camadas sonoras estivessem da forma que seu gênio musical concebia, mas custava a realizar. Um gênio que, como se pode perceber, antecipou e certamente influenciou um <a href="http://www.lastfm.com.br/music/The+Smashing+Pumpkins" target="_blank">The Smashing Pumpkins</a> em sua sonoridade, como em <em>Sometimes</em>&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://ressentimento.wordpress.com/2011/09/19/my-bloody-valentine-loveless/"><img src="http://img.youtube.com/vi/B0nPSy1-UXE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">&#8230; Que, em 2003, foi escolhida à dedo por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sofia_Coppola" target="_blank">Sofia Coppola</a> para estar na trilha de seu <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0335266/" target="_blank">Lost in Translation</a></em> (<em>Encontros e Desencontros</em>). Que canção era aquela do Smashing que, afinal, ninguém conhecia? Não era Smashing. Era My Bloody Valentine. Era o <em>Loveless</em> tocando, doze anos depois. Fazendo trilha sonora para as memoráveis atuações de Bill Murray e Scarlett Johansson perdidos em Tóquio. Para quem já conhecia o My Bloody Valentine, era o <em>Loveless</em> tocando enquanto se esperava, há doze anos (que hoje já completam vinte) o terceiro disco da banda.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Loveless</em> sintetiza a cena shoegaze que acontecia até o momento. É seu sentido. É como se todas as <a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/mbv.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1443" title="mbv" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/mbv.jpg?w=450" alt=""   /></a>outras bandas fossem coadjuvantes de um My Bloody Valentine que vai na frente, carregando todas em seu vácuo. Quem é que duvida que a cena se extingue e cai no esquecimento por quase dez anos justamente pela falta do terceiro disco dos MBV? Sim, certamente não foi o rápido declínio da cena e o desmanche de várias bandas do gênero que determinou o não-lançamento do terceiro disco do My Bloody, mas precisamente o contrário. Pois de um lado as sementes lançadas pelo shoegaze podiam ser percebidas no pop-rock/grunge do Smashing, por outro lado a quase-ininteligibilidade de Shields motivava a criação de bandas como <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Lovesliescrushing" target="_blank">Lovesliescrushing</a>, onde as nuvens sonoras são levadas as últimas consequências. Em suma, o shoegaze estava sustentado e possuiria público consumidor em mais de um círculo musical. Mas o terceiro disco não veio, e <em>Loveless</em> ficou sendo para sempre o disco para o qual todo o shoegaze rumava, conspirava, ascendia, e onde afinal o gênero finalmente se realizou. A última canção do disco, <em>Soon</em> (Logo)&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://ressentimento.wordpress.com/2011/09/19/my-bloody-valentine-loveless/"><img src="http://img.youtube.com/vi/tvkK0mO7fXg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">&#8230; Poderia dar a impressão de um breve retorno. Feliz ou infelizmente, não foi o que aconteceu. A magia da dupla Kevin Shields &amp; Bilinda Butcher não se repetiu, pelo menos em estúdio. O My Bloody Valentine se reuniu algumas vezes e realizou alguns concertos. Os fãs de vinte anos atrás acreditaram, como crianças, que isso era um sinal do terceiro disco. Muito provavelmente, não é. Eu não ouvi o <em>Loveless</em> quando foi lançado, pois tinha seis anos de idade, ou seja, teria que ter muita sorte de ter crescido ouvindo My Bloody Valentine por conta de outros. Mas eu devia essa &#8220;resenha&#8221; &#8211; meio romanceada e apaixonada, é verdade &#8211; ao disco pelo qual sou mais obsessivamente apaixonado há mais ou menos uns três anos. Aqui o <em>Loveless</em> arrebatou, com sua delicadeza, um ouvinte do som quadrado, analítico e soturno do <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Joy+Division" target="_blank">Joy Division</a>. E embora o shoegaze seja <a href="http://www.lastfm.com.br/tag/post-punk" target="_blank">post-punk</a>, My Bloody Valentine não tem nada a ver com Joy Division. A melancolia serena das nuvens sonoras do <em>Loveless</em>, suas letras que flutuam entre o erótico e o romântico, as vozes de Shields e Bilinda se fundindo à massa sonora de suas canções, é tudo milimetricamente perfeito em <em>Loveless</em>, planejado por um gênio que sabia exatamente que tipo de sentimentos desejava suscitar em seu ouvinte. &#8220;Onírico&#8221;, &#8220;etéreo&#8221; e tantos outros adjetivos exaustivamente utilizados pelos fãs constituem um clichê, é verdade, mas não por isso menos verdadeiro: My Bloody Valentine, em seu Loveless, é tudo isso, e tudo isso faz com que este álbum seja meu momento favorito dos últimos vinte anos de rock. Meu álbum favorito.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/loveless.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1444" title="Loveless" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/09/loveless.jpeg?w=450&#038;h=450" alt="" width="450" height="450" /></a></p>
<p style="text-align:center;">1 &#8211; Only Shallow<br />
2 &#8211; Loomer<br />
3 &#8211; Touched<br />
4 &#8211; To Here Knows When<br />
5 &#8211; When You Sleep<br />
6 &#8211; I Only Said<br />
7 &#8211; Come in Alone<br />
8 &#8211; Sometimes<br />
9 &#8211; Blown a Wish<br />
10 &#8211; What You Want<br />
11 &#8211; Soon</p>
<p style="text-align:justify;">Link pra Download: Não vou colocar. Acho que a Creation Records caça, até hoje, os links para download do My Bloody Valentine (já tive um vídeo retirado do YouTube por usar música do MBV como fundo). Mas, sempre tem por aí. No mais, linkei tudo para o <a href="http://www.lastfm.com.br" target="_blank">LastFM</a>, onde se pode ouvir tudo direto da rede, com assinatura ou aplicativos para navegadores.</p>
<p style="text-align:justify;">Agradecimento ao blog <a href="http://vinilgrafias.blogspot.com" target="_blank">VinilGrafias</a> de onde &#8220;roubei&#8221; as belas imagens do disco em vinil.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ressentimento.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ressentimento.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ressentimento.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ressentimento.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ressentimento.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ressentimento.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ressentimento.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ressentimento.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ressentimento.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ressentimento.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ressentimento.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ressentimento.wordpress.com/1438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ressentimento.wordpress.com/1438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ressentimento.wordpress.com/1438/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1438&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nossa escolha é a euforia</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Aug 2011 18:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eis uma passagem simplesmente memorável de um livro que sobre o qual já falei aqui em uma outra oportunidade. Fiz um recorte que torna o diálogo quase teatral, distorcendo um pouco o sentido que ele assume dentro do romance, com todas as involuções narrativas que o autor realiza nas páginas em que ele acontece. No [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1435&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eis uma passagem simplesmente memorável de um livro que sobre o qual já falei aqui <a href="http://ressentimento.wordpress.com/2010/08/21/a-identidade-de-milan-kundera/" target="_blank">em uma outra oportunidade</a>. Fiz um recorte que torna o diálogo quase teatral, distorcendo um pouco o sentido que ele assume dentro do romance, com todas as involuções narrativas que o autor realiza nas páginas em que ele acontece. No entanto, penso que não sacrifiquei <em>demais</em> o sentido da passagem. Ei-la abaixo.</p>
<p style="text-align:center;">• • •</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Leroy:</strong> &#8220;Ora, nosso século nos fez compreender uma coisa enorme: o homem não é capaz de mudar o mundo e nunca irá mudá-lo. É a conclusão fundamental de minha experiência de revolucionário. Conclusão, aliás, tacitamente aceita por todos. Mas há uma outra que vai além. Ela é teológica e diz: o homem não tem o direito de mudar aquilo que Deus criou. É preciso ir até o fim dessa interdição.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Chantal:</strong> &#8220;De acordo, também acho que todas as mudanças são nefastas. Nesse caso, seria nosso dever proteger o mundo contra as mudanças. Infelizmente, o mundo não sabe parar o fluxo louco de suas transformações&#8230;&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Leroy:</strong> &#8220;&#8230; do qual o homem, no entanto, não passa de um simples instrumento. A intenção de uma locomotiva contém o germe do plano de um avião que, inelutavelmente, leva a um foguete espacial. Essa lógica está contida nas próprias coisas, em outras palavras, faz parte do projeto divino. Você pode substituir completamente a humanidade por uma outra, isso não impedirá que continue intacta a evolução que vai da bicicleta ao foguete. O homem não é o autor dessa evolução, é simplesmente um executante. E mesmo um pobre executante, já que ele não conhece o sentido daquilo que executa. Esse sentido não nos pertence, pertence apenas a Deus e só estamos aqui para obedecer a ele a fim de que possa fazer aquilo que lhe agrada.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Senhora distinta:</strong> &#8220;Mas, nesse caso, porque estamos aqui na terra? Por que vivemos?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Leroy:</strong> &#8220;Por que vivemos? Para fornecer a Deus a carne humana. Pois a Bíblia não nos pede, cara senhora, que encontremos o sentido da vida. Ele nos pede que procriemos. Amai-vos e procriai. Entenda bem: o sentido desse &#8216;amai-vos&#8217; é determinado por esse &#8216;procriai&#8217;. Esse &#8216;amai-vos&#8217;, portanto, não significa absolutamente amor caritativo, misericordioso, espiritual ou passional, mas quer dizer simplesmente: &#8216;fazei amor!&#8221;, &#8216;copulai!&#8217;. &#8216;Trepai!&#8217; É nisso e apenas nisso que consiste o sentido da vida humana. Todo o resto é besteira.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Senhora distinta:</strong> &#8220;Estamos descendo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Chantal:</strong> &#8220;Para o inferno.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Senhora distinta:</strong> &#8220;Estamos descendo cada vez mais fundo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Chantal:</strong> &#8220;Lá onde está a verdade&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Leroy:</strong> &#8220;Lá onde se encontra a resposta para sua pergunta: por que vivemos? o que é essencial na vida? O essencial, na vida, é perpetuar a vida: é o parto, e aquilo que o precede, o coito, e o que precede o coito, a sedução, isto é, os beijos, os cabelos soltos ao vento, as calcinhas, os sutiãs bem cortados, mais tudo o que torna as pessoas aptas para o coito, isto é, a comida, não a grande cozinha, essa coisa supérflua que ninguém mais aprecia, mas a comida que todo mundo compra, e com a comida a defecação, pois a senhora sabe, minha cara senhora, minha bela senhora adorada, a senhora sabe que lugar importante ocupa na nossa profissão o elogio do papel higiênico e das fraldas. Papel higiênico, fraldas, sabão em pó, comida. É o círculo sagrado do homem, e nossa missão é não apenas descobrí-lo, aprendê-lo e delimitá-lo, mas torná-lo belo, transformá-lo em canto. Graças à nossa influência o papel higiênico é quase exclusivamente de cor rosa e esse é um fato altamente edificante sobre o qual lhe recomendo, minha cara e ansiosa senhora, meditar bastante.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Senhora distinta:</strong> &#8220;Mas então é a miséria, a miséria! É a miséria maquiada! Nós somos os maquiadores da miséria!&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Leroy:</strong> &#8220;Sim, exatamente.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Senhora distinta:</strong> &#8220;Mas, nesse caso, onde está a grandeza da vida? Se estamos condenados à comida, ao coito, ao papel higiênico, o que somos? E, se somos capazes apenas disso, que orgulho podemos sentir pelo fato de sermos, como dizem que éramos, seres livres?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Leroy:</strong> &#8220;A liberdade? Ao viver a sua miséria, a senhora pode ser infeliz ou feliz. É nessa escolha que consiste sua liberdade. A senhora é livre para dissolver sua individualidade na panela da multidão com um sentimento de derrota, ou então com euforia. Nossa escolha, minha cara senhora, é a euforia.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/08/c3a9-preciso-imaginar-sc3adsifo-feliz.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1436" title="É preciso imaginar Sísifo feliz" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/08/c3a9-preciso-imaginar-sc3adsifo-feliz.jpg?w=450&#038;h=306" alt="" width="450" height="306" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Em <em>A Identidade</em>, de Milan Kundera. Imagem retirada do site <a href="http://www.decadentlifestyle.net/" target="_blank">Decadent Lifestyle</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ressentimento.wordpress.com/1435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ressentimento.wordpress.com/1435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ressentimento.wordpress.com/1435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ressentimento.wordpress.com/1435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ressentimento.wordpress.com/1435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ressentimento.wordpress.com/1435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ressentimento.wordpress.com/1435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ressentimento.wordpress.com/1435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ressentimento.wordpress.com/1435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ressentimento.wordpress.com/1435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ressentimento.wordpress.com/1435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ressentimento.wordpress.com/1435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ressentimento.wordpress.com/1435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ressentimento.wordpress.com/1435/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1435&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pele de Asno, novamente!</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Aug 2011 19:52:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despojos]]></category>
		<category><![CDATA[Por um mundo Punk-Gótico]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pele de Asno]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Trip-Hop]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu devia ser proibido de fazer resenha sobre a Pele de Asno, mas já vou fazer a segunda. Se na primeira tentei ser econômico ao tecer algumas palavras sobre a Demo que eles lançaram, dessa vez isso será impossível. Intitulado simplesmente &#8220;Pele de Asno&#8221;, o disco de estréia da banda homônima conta com 13 faixas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1429&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eu devia ser proibido de fazer resenha sobre a Pele de Asno, mas já vou fazer a segunda. Se na <a href="http://ressentimento.wordpress.com/2010/12/24/pele-de-asno/" target="_blank">primeira</a> tentei ser econômico ao tecer algumas palavras sobre a Demo que eles lançaram, dessa vez isso será impossível.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/08/capa.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1430" title="Capa" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/08/capa.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a>Intitulado simplesmente &#8220;Pele de Asno&#8221;, o disco de estréia da banda homônima conta com 13 faixas que eu classificaria em um Lado A, um Lado B e uma bônus track.</p>
<p style="text-align:justify;">O Lado A &#8211; as seis primeiras músicas &#8211; contudo, são o verdadeiro Lado B. As quatro primeiras faixas mantém o ouvinte em uma atmosfera afetiva entre a melancolia e a serenidade. &#8220;Que Sorte há de Vir&#8221;, a primeira faixa, já dá o tom do que será o disco. A cadência das melodias deixando a voz de Luciana flutuar suas letras, sintetizando todos os elementos e dando unidade ao som da Pele. É imediatamente seguida por &#8220;Naufrágio&#8221;, onde a guitarra de Ronaldo Palma me fez lembrar as dos Los Hermanos em seu 4.  &#8221;Sala de Esperar&#8221; é pura poesia intimista, com uma levada hipnótica e misteriosa. &#8220;Ladeira da Consolação&#8221; é uma jóia de delicadeza, e parece contar com batida eletrônica fazendo fundo à frases como &#8220;acho que Deus não vai suportar&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Monstro&#8221;, a 5ª música, é a primeira que começa a fazer bater o pé do ouvinte vulgar como eu. O chiado da guitarra &#8211; um &#8220;tiquinho de shoegaze&#8221; &#8211; também me fez ouvi-la mais de uma vez. &#8220;Fado&#8221;, a sexta música, parece ter cumprido bem seu papel: fecha o &#8220;primeiro lado&#8221; de forma densa e pesada.</p>
<p style="text-align:justify;">Aqui, meu destaque e ênfase para aquela que é, para mim, a melhor música do disco e da Pele de Asno até agora: &#8220;Desengano&#8221;. Os teclados melancólicos fazem o fundo para uma guitarra que vai do início ao fim &#8220;lacrimejando&#8221; riffs. A letra é impecável e nos oferece uma &#8220;dialética do &#8216;mas não&#8217;&#8221;. Percebi mesmo um som de vento ao fundo? Daquelas de ficar ouvindo no repeat, no escuro, acompanhado de uma bebida forte e um cigarro. A voz de Luciana Alves está perfeita. Ponto alto, divisor de águas do album, não se encaixando nem no &#8220;lado A&#8221;, nem no &#8220;lado B&#8221;. Ou talvez pertencendo à ambos, como ponto de virada.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de nos comover paulatinamente, o pessoal da Pele nos deixa descontrair na segunda metade do álbum. &#8220;Lenço de Papel&#8221;, por exemplo, eu tive o prazer de ouvir em uma versão bastante rudimentar. A versão final é talvez a canção onde a banda esteja mais entrosada, cada elemento caprichado de forma que fica difícil prestar atenção em um elemento em separado. &#8220;Doze Badaladas&#8221; me fez pensar até mesmo em qualquer coisa de Ennio Morricone. &#8220;Nada Mais Que Uma Cor&#8221; dói, como uma lamúria, e a voz de Luciana Alves merece novamente minhas considerações (confesso ter achado que o vocal dessa canção soou bem próximo de uma Maria Rita). Mas é o último golpe da Pele em nosso coração. Em &#8220;Tudo é Verão&#8221;, ouvimos o teclado de Daniel Stringini fazendo com que toda a música seja tocada dentro de uma nuvem sonora. A bateria de Braziliano é empolgante, e o baixo de Lucas Machado me parece nitidamente inspirado no post-punk. O vocal e a letra dão, porém, o tempero necessário: uma certa &#8220;brasilidade&#8221;,  a identidade da Pele. O disco termina com &#8220;Noites Quentes&#8221; &#8211; &#8220;Dizem que a distância é o esquecimento&#8221;, é o até logo que a Pele de Asno nos dá enquanto o baixo caminha entre as nuvens que o teclado emite. A guitarra do Los Hermanos 4 de Ronaldo Guerche volta para nos dar esse até logo.</p>
<p style="text-align:justify;">Um prematuro salto qualitativo em relação à Demo, que já me agradava bastante e que havia me fisgado com pelo menos umas três músicas que sei, há quase um ano, assobiar de cabeça. Altamente recomendável. Falaria mais sobre cada uma das canções. Para não ficar ainda mais extenso, reitero que são os melhores de Santa Maria e tem algumas canções na minha lista de favoritas.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>&#8220;Pele de Asno&#8221; (2011)</strong></p>
<p style="text-align:center;">1. Que Sorte Há de Vir<br />
2. Naufrágio<br />
3. Sala de Esperar<br />
4. Ladeira da Consolação<br />
5. Monstro<br />
6. Fado<br />
7. Desengano<br />
8. Infância em Casa<br />
9. Lenço de Papel<br />
10. Doze Badaladas<br />
11. Nada Mais que uma cor<br />
12. Tudo É Verão<br />
13. Noites Quentes</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.mediafire.com/?v1oxyyo7mn7jd2i" target="_blank">Download</a></p>
<p>Pele de Asno é formada por <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=1620585336" target="_blank">Luciana Alves</a> (vocal), <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100000304431076" target="_blank">Ronaldo Guerche</a> (guitarra), <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100000184010036" target="_blank">Braziliano </a>(bateria), <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100001151792926" target="_blank">Daniel Stringini</a> (teclado) e <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100000594847575" target="_blank">Lucas Machado</a> (baixo).</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ressentimento.wordpress.com/1429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ressentimento.wordpress.com/1429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ressentimento.wordpress.com/1429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ressentimento.wordpress.com/1429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ressentimento.wordpress.com/1429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ressentimento.wordpress.com/1429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ressentimento.wordpress.com/1429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ressentimento.wordpress.com/1429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ressentimento.wordpress.com/1429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ressentimento.wordpress.com/1429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ressentimento.wordpress.com/1429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ressentimento.wordpress.com/1429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ressentimento.wordpress.com/1429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ressentimento.wordpress.com/1429/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1429&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Capa</media:title>
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	</item>
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		<title>Divertissement: Nuvens Sonoras e o Desejo de Ser Deus</title>
		<link>http://ressentimento.wordpress.com/2011/08/22/divertissement-nuvens-sonoras-e-o-desejo-de-ser-deus/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 13:34:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofança]]></category>
		<category><![CDATA[Por um mundo Punk-Gótico]]></category>
		<category><![CDATA[80s]]></category>
		<category><![CDATA[Gaston Bachelard]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-Paul Sartre]]></category>
		<category><![CDATA[Má-Fé]]></category>
		<category><![CDATA[My Bloody Valentine]]></category>
		<category><![CDATA[O Ser e o Nada]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise Existencial]]></category>
		<category><![CDATA[Shoegaze]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das partes mais interessantes e mais misteriosas de todo O Ser e o Nada é o capítulo intitulado &#8220;Da Qualidade como Reveladora do Ser&#8221;. Nestas poucas páginas, que seguem imediatamente aquelas que versam sobre a &#8220;psicanálise existencial&#8221;, Sartre segue de perto o pensamento de Gaston Bachelard e pretende poder reconhecer, nas qualidades dos objetos, sentidos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1425&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Uma das partes mais interessantes e mais misteriosas de todo <em>O Ser e o Nada</em> é o capítulo intitulado &#8220;Da Qualidade como Reveladora do Ser&#8221;. Nestas poucas páginas, que seguem imediatamente aquelas que versam sobre a &#8220;psicanálise existencial&#8221;, Sartre segue de perto o pensamento de Gaston Bachelard e pretende poder reconhecer, nas qualidades dos objetos, sentidos ontológicos que poderão orientar a psicanálise existencial. Voltando seus olhos para as qualidades dos entes naturais, Sartre se permite analisar o sentido ontológico da &#8220;fluidez&#8221; e da &#8220;viscosidade&#8221;, por exemplo. Através da análise o filósofo supõe poder reconhecer certa possibilidade de paralelismo entre aspectos da consciência humana e aspectos da natureza. A especulação e o trabalho imaginativo de Sartre é de tal ordem que ele acabará por comparar o movimento da consciência com a fluidez e a transparência de um curso de água, associando a viscosidade com a má-fé, ou seja, com a &#8220;agonia do líquido&#8221;, com um estado no qual o líquido começa a sofrer uma &#8220;solidificação&#8221; e abandonar as características que lhe são mais próprias, assim como a consciência faz quando começa a escorregar para a má-fé.</p>
<p style="text-align:justify;">Por mais mirabolante que isso pareça, a coisa começa a fazer sentido depois que você a lê pela décima vez. E embora isso mais pareça uma espécie de mística do que qualquer outra coisa, parece realmente possível reconhecer na natureza certas qualidades que, se utilizadas como categorias para pensar a condição humana, ajudam a explicar a existência tal como concebida por Sartre.</p>
<p style="text-align:justify;">Introduzo rapidamente essa teoria apenas para compartilhar aqui uma música. Música de um tipo muito especial, cuja beleza eu não teria sido capaz de compreender sem o recurso dessa &#8220;psicanálise da natureza&#8221; que Sartre parece estar propondo.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://ressentimento.wordpress.com/2011/08/22/divertissement-nuvens-sonoras-e-o-desejo-de-ser-deus/"><img src="http://img.youtube.com/vi/wLe_-ZZbs5k/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Uma das principais características da música &#8220;<a href="http://www.lastfm.com.br/tag/shoegaze">shoegaze</a>&#8221; é precisamente essa síntese e dissolução de todos os elementos melódicos em verdadeiras nuvens sonoras. Quando isso teve início, na música do <a href="http://www.lastfm.com.br/music/My+Bloody+Valentine">My Bloody Valentine</a>, a chiadeira ainda se apresentava &#8211; exceto por três ou quatro canções mais ousadas &#8211; como pano de fundo de uma fórmula melódica comum, típica da música <em>pop</em>. Contudo, essa &#8220;orientação&#8221; aberta no final dos anos 80 teve diversas continuações. Algumas muito mais <em>pop</em> e fáceis de ouvir. Outras, contudo, mergulharam irreversivelmente na chiadeira indiscernível e produziram &#8220;coisas&#8221; como essa, que acabo de compartilhar.</p>
<p style="text-align:justify;">Para não desperdiçar a utilização do pensamento sartreano nesta postagem, lembremos que para o filósofo francês uma das maneiras mais apropriadas de descrever a condição humana é pensá-la como &#8220;desejo de ser Deus&#8221;, isto é, desejo de ser consciência e substância ao mesmo tempo. &#8220;Desejo ontológico&#8221; de poder realizar a síntese entre existir como consciência e possuir qualidades estáveis e essenciais. Maior do que o desejo de &#8220;participar&#8221; do ser, esse anseio metafísico que constitui a realidade humana é um anseio por ser maior que o ser (pois é desejo de não perder a consciência ao alcançar o ser) e superar definitivamente o nada (estancando a temporalidade que dissolve toda e qualquer possibilidade de estabilidade).</p>
<p style="text-align:justify;">Pois bem. Sem pretender me comparar à um genial Schopenhauer, que dá à música um papel de destaque em sua metafísica, permito-me levantar uma questão: músicas como essa, que se configuram como síntese de elementos que se dissolvem em uma unidade quase absoluta, não seriam uma das expressões mais vívidas desse desejo de ser Deus?</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/08/afaultychromosome_3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1426" title="Shoegaze" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/08/afaultychromosome_3.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ressentimento.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ressentimento.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ressentimento.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ressentimento.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ressentimento.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ressentimento.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ressentimento.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ressentimento.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ressentimento.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ressentimento.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ressentimento.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ressentimento.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ressentimento.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ressentimento.wordpress.com/1425/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1425&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Shoegaze</media:title>
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		<title>O ressentimento voltou!</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 17:56:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fábulas Para Entristecer]]></category>
		<category><![CDATA[Invisível no Banheiro das Meninas]]></category>

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		<description><![CDATA[É isso mesmo, o ressentimento voltou. Ou talvez nunca tenha realmente ido à lugar nenhum. Sete meses depois de &#8220;fechar&#8221; o blog e quatro meses depois de tentar outra forma de me expressar, volto. E volto homenageando minha querida irmã. O texto é dela. Publico hoje porque hoje é seu aniversário de 21 anos. Parabéns, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1421&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">É isso mesmo, o ressentimento voltou. Ou talvez nunca tenha realmente ido à lugar nenhum.</p>
<p style="text-align:justify;">Sete meses depois de &#8220;fechar&#8221; o blog e quatro meses depois de tentar outra forma de me expressar, volto. E volto homenageando minha querida irmã. O texto é dela. Publico hoje porque hoje é seu aniversário de 21 anos. Parabéns, mana!</p>
<p style="text-align:justify;">Sem mais até o momento, me despeço. Até a próxima postagem.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>“Sabina, o seu chapéu-coco me faz querer chorar”</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Pois bem. Para mim, quando Tomas fala de seu chapéu, ele está se referindo a muito mais que isso. Não fala apenas do chapéu como falaria de um acessório de vestuário, ou como um item de recordação, embora traga boas lembranças a vocês dois. Não se trata só disso. Acredito, sim, que seu chapéu é quase como algo que fale por você, de você para Tomas, qualquer coisa de único. Não se ofenda, mas entendo seu chapéu como metáfora de sua personalidade. Mais ainda: como o que tem em você que mais comove Tomas. É como se seu chapéu fosse à personificação de algo que você escolheu como seu melhor, e que Tomas através do próprio olhar legitimou.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A partir disso, penso que todos, talvez, possuímos um chapéu. No entanto, dependemos dos olhos dos outros para que ele seja percebido. A diferença entre você e Tomas é que acontece algo raro: ele legitimou, ao comover-se com seu chapéu, sua escolha de si. E ainda entendo que quando o contrario acontece, as relações tendem a se tornar um verdadeiro ínferno, e sei que foi por isso que você fugiu de Franz. E ainda que de certo entre você e Tomas, creio que é o mal do resto do mundo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Todos nós elegemos o nosso chapéu minha cara, contudo, não vejo esse como o problema, mas sim o fato de esperar que outrem o legitime de alguma forma. A eterna dependência do olhar do outro é o próprio inferno que cultivamos em nós.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Sinto ser realmente gravíssimo quando não há sequer uma pessoa que seja capaz de percebê-lo do mesmo modo que nós. Essa falta de inteligibilidade que possa nos legitimar é capaz de levar um ser as piores conseqüências, de diversas formas possíveis. Acredite, sei bem o que digo. Mas o que fazer em um mundo com excedente na produção desses acessórios individuais? Enlouquecer na solidão, ou acompanhado?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Calma minha cara, você deve estar se perguntando o porquê que voltei a escrever depois de tanto tempo, e ainda escrevo-lhe assim, em devaneios, mas vou explicar. A consciência que tive sobre essas relações, e sobre do que elas dependem é recente, portanto um pouco imatura ainda. Mas garanto que me convencem o suficiente, pois, consigo ver o mundo sob essa perspectiva. E o que você tem a ver com isso?!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Você, Tomas e esse maldito chapéu me fazem ainda crer que posso encontrar alguma consciência capaz de captar o “meu chapéu”. Alguém para quem, o que sinto de mais especial em mim, possa comover também, e não sei se quero continuar acreditando que esse alguém exista. Acho triste pensar que tenho que dar as costas a tudo que não se comove comigo, o que não legitime minha comoção. Não quero isso. Quero aprender a viver sem necessitar disso.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Obrigada pela atenção querida, desculpe se pareço hostil, não foi à intenção. Ainda admiro a você e Tomas, mesmo que  me causem esses sentimentos as vezes. Além disso, o que creio mais admirável &#8211; e confesso, inquietante &#8211; é que mesmo que não tenham conseguido ficar juntos, Tomas conseguiu “enxergar” seu chapéu-coco!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Atenciosamente,</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Sua distante amiga Agnes.</em></p>
<p><a href="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/08/sabina.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="sabina" src="http://ressentimento.files.wordpress.com/2011/08/sabina.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p>- &#8211; -</p>
<p>O texto é de Tatiane Costa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ressentimento.wordpress.com/1421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ressentimento.wordpress.com/1421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ressentimento.wordpress.com/1421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ressentimento.wordpress.com/1421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ressentimento.wordpress.com/1421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ressentimento.wordpress.com/1421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ressentimento.wordpress.com/1421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ressentimento.wordpress.com/1421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ressentimento.wordpress.com/1421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ressentimento.wordpress.com/1421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ressentimento.wordpress.com/1421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ressentimento.wordpress.com/1421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ressentimento.wordpress.com/1421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ressentimento.wordpress.com/1421/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1421&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Finitude Café</title>
		<link>http://ressentimento.wordpress.com/2011/04/04/finitude-cafe/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2011 18:26:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despojos]]></category>

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		<description><![CDATA[Entretenimento existencialista. http://victordafilosofia.wordpress.com/<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1418&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entretenimento existencialista.</p>
<p><a href="http://victordafilosofia.wordpress.com/">http://victordafilosofia.wordpress.com/</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ressentimento.wordpress.com/1418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ressentimento.wordpress.com/1418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ressentimento.wordpress.com/1418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ressentimento.wordpress.com/1418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ressentimento.wordpress.com/1418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ressentimento.wordpress.com/1418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ressentimento.wordpress.com/1418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ressentimento.wordpress.com/1418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ressentimento.wordpress.com/1418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ressentimento.wordpress.com/1418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ressentimento.wordpress.com/1418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ressentimento.wordpress.com/1418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ressentimento.wordpress.com/1418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ressentimento.wordpress.com/1418/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1418&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Um agradecimento. E um adeus.</title>
		<link>http://ressentimento.wordpress.com/2011/01/09/um-agradecimento-e-um-adeus/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Jan 2011 01:24:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despojos]]></category>
		<category><![CDATA[Fábulas Para Entristecer]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofança]]></category>
		<category><![CDATA[Invisível no Banheiro das Meninas]]></category>
		<category><![CDATA[Por um mundo Punk-Gótico]]></category>

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		<description><![CDATA[Três anos e meio. Três anos e meio e, parece, é tempo de encerrar um ciclo. Um ciclo composto de uma série de “semi-ciclos”, momentos vividos sob a égide de um mantra: ressentimento. Nascido sob o claro signo de uma influência kundera-nietzscheana, o Litost serviu, por três anos, como escoadouro de uma série de idéias [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1416&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Três anos e meio. Três anos e meio e, parece, é tempo de encerrar um ciclo. Um ciclo composto de uma série de “semi-ciclos”, momentos vividos sob a égide de um mantra: <em>ressentimento</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Nascido sob o claro signo de uma influência kundera-nietzscheana, o Litost serviu, por três anos, como escoadouro de uma série de idéias desconexas cuja única unidade era conferida por meus interesses pessoais. Filosofia, música, cinema, literatura e mesmo um pouco de política (e uma ou duas notas sobre futebol, vejam) ilustraram as páginas de um blog que precisa e deve ter um fim. “Precisa e deve” ter um fim porque meu compromisso com a Finitude exige: mesmo aquilo que pode e dura uma Vida inteira acabará com a Vida, ainda que sobreviva como Memória e História.</p>
<p style="text-align:justify;">Durante esses três anos e meio recebi (a maioria via buscas no Google) quase 74.000 visitas, o que dá uma média de mais ou menos 65 visitações por dia. Considero isso um relativo sucesso e me dou por satisfeito. Contudo, o mantra do ressentimento não precisa e não deve mais ser entoado por mim.</p>
<p style="text-align:justify;">As fases de uma vida só são claramente visualizadas no futuro, quando elas já se transformaram em passado. É um momento raro, e eventualmente único, a consciência do início de uma nova fase em sua aurora. É uma experiência desse tipo que motiva o encerramento de meu compromisso com o ressentimento e com a vertigem que significa a Litost do título: Litost é uma espécie de vertigem, uma espécie de desejo de queda, uma palavra tcheca que, segundo Milan Kundera, exprime uma categoria fundamental da experiência humana, sem a qual a compreensão correta da condição humana ficaria incompleta. Pois bem: é chegado o tempo de desejar o fim dessa queda e o início de uma verdadeira ascensão. De uma autêntica <em>criação</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem acompanha as postagens pode estar estarrecido com a estranha espécie de otimismo que parece motivar essa postagem, bem como o fechamento do blog. Assim, assumo que é realmente “uma estranha espécie de otimismo” que me faz desejar o rompimento com certo tipo de expressão de idéias e sentimentos que, apesar de inegavelmente verdadeiros (ou provavelmente pretensiosos), são, em grande parte, completamente inúteis.</p>
<p style="text-align:justify;">O “ressentimento” foi escolhido, há três anos e meio, porque representa, para Nietzsche, a experiência fundamental (e silenciosa) através da qual os grupos humanos criam seus valores a partir da <em>fraqueza</em>. A Vertigem que traduz a “Litost” do tcheco não é senão um desejo de sucumbir à essa fraqueza na forma de espetáculo. E nada, nada pode ser mais nocivo à Vida do que a fraqueza. Assim, abandono oficial e publicamente esse compromisso com o espetáculo da fraqueza. Em uma atitude que divertiria qualquer psicanalista, abandono cerca de dez anos de compromisso – primeiramente irrefletido, conscientemente assumidos em segundo momento – com toda uma visão de mundo que, hoje vejo, não eram mais do que uma espécie de engano, de auto-engano, de má-fé (para respeitar um Sartre ao qual já não tenho nenhum amor, mas algum bom débito).</p>
<p style="text-align:justify;">Não, ainda não tenho um projeto claro sobre a continuação das minhas desconexas expressões virtuais. O principal elemento que governa o impulso de fechar o Litost é uma espécie de <em>desejo negativo</em>: não quero mais escrever sob o signo do ressentimento.</p>
<p style="text-align:justify;">Àqueles que me acompanharam nas intermináveis digressões e disparates que constituem o corpo substancial deste blog, deixo aqui meus mais sinceros agradecimentos, bem como uma espécie de <em>adeus</em>, um adeus que é antes um <em>até logo</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Vítor H. R. Costa</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ressentimento.wordpress.com/1416/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ressentimento.wordpress.com/1416/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ressentimento.wordpress.com/1416/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ressentimento.wordpress.com/1416/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ressentimento.wordpress.com/1416/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ressentimento.wordpress.com/1416/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ressentimento.wordpress.com/1416/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ressentimento.wordpress.com/1416/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ressentimento.wordpress.com/1416/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ressentimento.wordpress.com/1416/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ressentimento.wordpress.com/1416/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ressentimento.wordpress.com/1416/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ressentimento.wordpress.com/1416/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ressentimento.wordpress.com/1416/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1416&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Adeus, 2010!</title>
		<link>http://ressentimento.wordpress.com/2010/12/31/adeus-2010/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 16:43:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor da Filosofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despojos]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[Galera da Finitude]]></category>
		<category><![CDATA[Milan Kundera]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembro perfeitamente do que estava fazendo há exatamente um ano atrás: estabelecendo metas. 2010 deveria ter sido o &#8220;Ano da Disciplina&#8221; e meu primeiro exercício de disciplina seria manter, rigorosamente, um diário. Depois de um 2009 virtualmente inútil (o primeiro ano desde 1992 em que eu não estava matriculado em escola ou universidade) marcado por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ressentimento.wordpress.com&amp;blog=1405426&amp;post=1413&amp;subd=ressentimento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Lembro perfeitamente do que estava fazendo há exatamente um ano atrás: estabelecendo metas. 2010 deveria ter sido o &#8220;Ano da Disciplina&#8221; e meu primeiro exercício de disciplina seria manter, rigorosamente, um diário. Depois de um 2009 virtualmente inútil (o primeiro ano desde 1992 em que eu não estava matriculado em escola ou universidade) marcado por um fracasso nos exames para ingresso na pós-graduação em filosofia, 2010 teria de ser diferente.</p>
<p style="text-align:justify;">E foi.</p>
<p style="text-align:justify;">O ano que se despede vai deixando um relicário de boas lembranças. Foi um ano leve. Foi um ano bonito. Não apenas porque tenho uma matrícula e uma responsabilidade novamente, mas porque penso não ter semeado muitos arrependimentos nos últimos doze meses. Se o diário tivesse sido continuado (continuado? se tivesse sido escrito!) eu talvez pudesse falar mais, em uma postagem mais longa e enfadonha. Por sorte, 2010 não foi o ano da disciplina.</p>
<p style="text-align:justify;">É por isso que não quero fazer nenhum plano, projeto, estabelecer nenhuma meta. Que venha esse ano novo. Quero aqui só me despedir desse 2010 que ficará guardado com carinho na memória. Assim, compartilho aqui uma reflexão precisamente sobre esse tema, a memória. O texto é de Milan Kundera e está em um de seus poucos livros que eu ainda não havia lido, <em>A ignorância</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">• • •</p>
<p style="text-align:justify;"><em>A memória, ela também não pode ser compreendida sem uma abordagem matemática. O dado fundamental é a relação numérica entre o tempo da vida vivida e o tempo de vida armazenado na memória. Nunca se tentou calcular essa relação e aliás não existe nenhum meio técnico de fazer isso; no entanto, sem grande risco de engano, posso supor que a memória não guarda senão um milionésimo ou um bilionésimo, em suma, uma parcela ínfima da vida vivida. Isso também faz parte da essência do homem. Se alguém pudesse reter na memória tudo o que viveu, se pudesse a qualquer momento evocar qualquer fragmento do passado que quisesse, não teria nada a ver com os humanos: nem seus amores, nem suas amizades, nem suas raivas, nem sua faculdade de perdoar ou de se vingar se pareceriam com os nossos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Poder-se-iam criticar indefinidamente aqueles que deformam o passado, o reescrevem, o falsificam, que aumentam a importância de um acontecimento, se calam a respeito de outro; essas críticas são justas (não podem deixar de ser) mas não têm grande importância se não são precedidas por uma crítica mais elementar: a crítica da memória humana como tal. Do que essa pobre coitada é capaz? Ela só pode reter uma pequena parcela do passado, sem que ninguém saiba por que justamente aquela e não outra, pois essa escolha, cada um de nós a faz misteriosamente, sem o controle de nossa vontade e de nossos interesses. Nada compreenderemos da vida humana se persistirmos em escamotear a primeira de todas as evidências: uma realidade tal qual quando ela existiu não existe mais; sua restituição é impossível.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>(&#8230;)</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Imagino a emoção de dois seres que se reencontram depois de muitos anos. Outrora se freqüentavam e portanto pensavam que estavam ligados pelas mesma experiência, pelas mesmas lembranças. As mesmas lembranças? É aqui que começa o mal-entendido: eles não têm as mesmas recordações; ambos retêm do passado duas ou três pequenas situações, mas cada um retêm as suas; suas lembranças não se parecem; não se encontram; e, mesmo quantitativamente, não são comparáveis: um se lembra do outro mais do que este se lembra dele; primeiro porque a capacidade da memória de cada um difere de um indivíduo para outro (o que ainda seria uma explicação aceitável para cada um deles), e também (e é mais penoso admitir isto) porque eles não têm, um para o outro, a mesma importância.</em></p>
<p style="text-align:justify;">• • •</p>
<p style="text-align:justify;">Feliz 2011.</p>
<p style="text-align:justify;">PS: Um abraço especial à <a href="http://twitpic.com/3ln28k">Galera da Finitude</a>.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://ressentimento.wordpress.com/2010/12/31/adeus-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/B0nPSy1-UXE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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