“Eu te amo mas escolhi a escuridão…”.

Falei do Film School e me senti impelido à falar de uma outra banda. Que não tem nada a ver com o Film School, embora a sabedoria do Last FM insista que são parecidas.

O “I Love You But I’ve Chosen Darkness” ganharia fácil o prêmio de banda com o nome de maior mau-gosto da história da música. A capa de seu primeiro disco é tão hedionda quanto o nome: um coração azulado no meio de um fundo preto e uma cruz invertida dentro do coração. Felizmente o som é bom demais para que o símbolo estampe camisetas das tribos de jovens emocionais.

O Chosen Darkness (porque é melhor do que a sigla ILYBICD) é provavelmente a única banda que vai agradar pessoas de quase 40 anos e que ficaram, durante os anos 90, órfãs de Bauhaus, Joy Division, Echo & The Bunnymen, etc. E não importa que digam que Interpol, Editors ou She Wants Revenge sejam “revival” do pós-punk, que seja “parecido com Joy Divsion”: depois de ouvir Chosen Darkness, isso deixa de fazer sentido. Chosen Darkness é “revival” do pós-punk e o resto é indie rock. Só o Chosen Darkness, dentre todas essas bandas citadas, conseguiram ressuscitar o espírito gótico que havia desaparecido com o pós-punk e transformado em zumbi pelos infinitos e lamentáveis gêneros de “metal gótico” (termo que, segundo alguns, é uma contradição em termos).

Melodias bem-construídas, letras desesperadamente tristes e uma notável criatividade dão ao Chosen Darkness um tom todo próprio. Infelizmente alguém teve a insensatez de achar que precisava de um nome e de uma capa dessas para soar obscuro (e saber que muitos fazem pior não redime), mas a música compensa. Destaque para as canções “At Last is All”, “If it Was Me”, “Lights” e “The Ghost”, do Fear is on Our Side, o único disco da banda até hoje, de 2006 (eles tem um EP também, mas a sonoridade é absolutamente outra e nada do que foi dito aqui se aplica àquelas canções).

À guisa de conclusão, refaço o convite à todos os órfãos do pós-punk: escutem Chosen Darkness. Se um dia um novo “The Hunger” alavancar uma cena gótica mais atual, certamente Chosen Darkness será catapultado aos palcos com a moral de, certamente, ser um dos melhores expoentes dessa hipotética cena.

Seguem dois vídeos oficiais da banda, com duas canções. Uma delas é a música de trabalho (o clipe é inacreditavelmente anti-comercial). A outra é uma animação para uma faixa instrumental (1/4 do disco é instrumental!).

Sobre Vítor Costa

Um insistente amador na arte do pensamento. Acha que a existência é feita da mesma matéria que compõe os sonhos. E que cada situação é uma ocasião de aprendizado. Mas que podemos, sim, estar à deriva num infinito de absurdo.
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