De volta ao mestre, o velho tcheco louco…

“(…) tinham ido a um cabaré com alguns amigos festejar o novo emprego de Tereza. Deixara o laboratório de fotografia porque a revista a aceitara como fotógrafa: Como Tomas não gostava de dançar, um dos seus colegas mais novos do hospital convidara Tereza. Deslizavam ambos sobre a pista e Tereza estava mais bonita do que nunca. Estupefato, via com que precisão e com que docilidade ela adivinhava uma fracção de segundo antes a vontade do seu par. Tal forma de dançar parecia proclamar que a sua devoção, aquele seu ardente desejo de fazer o que lhe lia nos olhos, não estava necessariamente ligado à pessoa de Tomas e que podia perfeitamente ter respondido ao apelo de outro homem qualquer que lhe tivesse aparecido em seu lugar. Nada mais fácil do que imaginar Tereza e o seu jovem colega como amantes. Era mesmo a facilidade com que o imaginava que mais o feria.”

Com o que você se importa 2

In A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera.

Sobre Vítor Costa

Um insistente amador na arte do pensamento. Acha que a existência é feita da mesma matéria que compõe os sonhos. E que cada situação é uma ocasião de aprendizado. Mas que podemos, sim, estar à deriva num infinito de absurdo.
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Uma resposta para De volta ao mestre, o velho tcheco louco…

  1. Sapa disse:

    Sim. Tomas, pode ser qualquer um… e é esse carater contingente disso tudo(jamais necessário) que o fere.

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