Garlands

GarlandsCocteau Twins é a mais nova coisa velha que descobri e, sem dúvida, a descoberta musical mais feliz dos ultimos tempos. A banda é um expoente da cena post-punk do início dos anos 80, e é classificada, pela sabedoria do Last FM, como “dream pop”.
A sonoridade do Cocteau evolui de forma notável através de seus discos. Um dos traços mais marcantes dessa sonoridade é, sem dúvida, o vocal inacreditavelmente belo de Elizabeth Fraser. A moça simplesmente brincava com a voz nas canções do Cocteau e é impressionante notar o quanto sua habilidade e perícia vocal progridem em qualidade a cada disco. Um instrumental eletrônico e atmosférico caracteriza a quase totalidade das canções da banda neste disco, criando o clima sombrio, noturno, mais do que apropriado para os movimentos e oscilações vocais de Elizabeth Fraser.
Em seu primeiro disco, Garlands (Guirlandas), de 1982 e re-lançado em 1999, Elisabeth apresenta um vocal assustadoramente oscilante. As três primeiras canções do disco – “Blood Bitch”, “Wax and Wane” e “But I’m Not” – constituem um início pesado e intenso, que dão o tom do que será o disco inteiro: a música é tensa, misteriosa, sem nenhuma guitarra nervosa. Nem por isso é lenta. Dinâmica e recheada de poesia – às vezes quase dadaísta – a música de Frazer e seus gêmeos prepara uma atmosfera de suspense para, em seguida, distilar alguma melancolia em melodias muito semelhantes umas às outras, o que representa um perigo ao ouvinte: gostar de uma música de Cocteau Twins será gostar quase que necessariamente de todas. Em “Dear Heart” vemos o que provavelmente deva ser o melhor momento vocal do disco de estréia do Cocteau Twins: Sua pronúncia estranha da expressão “taken till” é tão interessante quanto suas variações vocais em “Wax and Wane”, e as guitarras em notas simples criam as nuvens sonoras para que a voz de Elizabeth dance de forma quase insana.
Para quem aprecia a música do período post-punk, Cocteau Twins é certamente uma das coisas mais bem-feitas que poderia ter surgido naquele momento. Para quem não conhece, a sonoridade desse primeiro disco pode parecer ultrapassada, mas eventualmente os temperamentos mais obscuros podem ficar seduzidos pela demência, pelo mistério e pela melancolia de Garlands.

Cocteau+Twins2

Sobre Vítor Costa

Um insistente amador na arte do pensamento. Acha que a existência é feita da mesma matéria que compõe os sonhos. E que cada situação é uma ocasião de aprendizado. Mas que podemos, sim, estar à deriva num infinito de absurdo.
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3 respostas para Garlands

  1. calixto disse:

    Esse disco é matador (embora meu preferido seja o “Heaven or Las Vegas”).

  2. Victor disse:

    Eu acho os quatro primeiros inacreditáveis. Não sei como consegui viver tanto tempo sem conhecer Cocteau Twins. Eu seria outro se tivesse conhecido Elizabeth Frazer antes. Mas isso é lógico.

  3. Viviane disse:

    Eu simplesmente AMO essa banda. Tenho todos os cds e algumas músicas só com a Liz. A voz dela é tão bela, tão melodiosa que… sem palavras. Cocteau é poesia sonora pura.

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