Head Over Heels

Head Over HeelsUm dos méritos do Cocteau Twins é certamente a evolução de sua música.
Se o primeiro disco – Garlands – é impecável, o segundo – Head Over Heels – é melhor que o primeiro. Iniciando com uma faixa profundamente trágica (When Mama Was Moth), e terminando com a guitarra desesperada de Musette and Drums (vídeo logo abaixo) e as vocalizações “faéricas” de Elizabeth Frazer, o Cocteau Twins compõe um disco que definitivamente constitui uma província especial e distinta no cenário post-punk.
O ar de demência pouco sutil de “Wax and Wane” do Garlands parece ganhar um refinamento todo especial em uma voz mais controlada e técnica, como vemos logo na segunda faixa, na delicada levada e na voz atmosférica de Elizabeth. Em “Sugar Hiccup” (Açucarado soluço?), uma balada romântica canta de maneira quase totalmente abstrata o que talvez seja um amor doce e ao mesmo tempo capaz de sacudir os céus e a terra. “In Our Angelhood” possui um ritmo agonizante e nervoso na guitarra e na bateria, ao som do baixo pulsante característico, e é viciante. O mesmo em “Glass Candle Grenades”: tensão e uma letra surreal. Em “In The Gold Dust Rush”, o vocal de Frazer sacrifica a pronúncia e a compreensão da letra (que já é geralente comprometida pela forma que parece ser composta, privilegiando a sonoridade à inteligibilidade) em favor da sonoridade e da melodia. Na penúltima faixa, “My Love Paramour”, a banda abusa da quebra de andamento e constrói uma melodia que surpreende mais pela inteligência do que pelo sentimentalismo, e é apenas a repetição de uma fórmula que já acontecera no Garlands, desde a primeira faixa, e que se tornará cada vez mais refinada nos discos seguintes. A última faixa, como já foi dito, encerra de uma maneira tensa e praticamente prepara o clima para o disco seguinte, Treasure, considerado por muitos o melhor disco do Cocteau Twins.
A unidade garantida pela primeira e pela última faixa e a competência em segurar o clima e construir uma identidade distinta e ao mesmo tempo semelhante das demais bandas do cenário fazem com que este disco seja, sem dúvida, um dos melhores momentos do rock no início dos anos 80.
Altamente recomendado!

Sobre Vítor Costa

Um insistente amador na arte do pensamento. Acha que a existência é feita da mesma matéria que compõe os sonhos. E que cada situação é uma ocasião de aprendizado. Mas que podemos, sim, estar à deriva num infinito de absurdo.
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