Peter Ibbetson

Assisti hoje um filme que é uma adaptação de um romance que, me parece, não possui sequer tradução para o português. E que provavelmente não é lá um grande romance. Mas que apresenta, em menos de uma hora e meia, uma história bonita – e completamente ultra-romântica – de amor.

ImagemPeter Ibbetson é um filme de 1935, adaptado por Henry Hathaway a partir do romance homônimo, este de 1891, de autoria de George du Maurier. E o enredo é simplório, de tão banal: um casal de crianças – Peter e Mary – é separado na infância e se reencontra quando adulto. Ele está solteiro enquanto ela está casada. O amor de infância, contudo, continua vivo e acaba levando os dois a fatídica situação em que são flagrados, durante um beijo, pelo marido de Mary. Depois de uma rápida altercação, Peter acaba matando o marido de Mary e é condenado à prisão. E aí que começa a mágica do filme, embora esta só dure uns vinte minutos: Peter e Mary, como que por milagre, se encontram todas as noites nos seus sonhos. E os encontros duram até o dia de suas respectivas mortes.

Evidentemente, foi em função desse elemento que me inteirei da existência da obra e procurei o filme. Todavia, exceto por uma passagem em que Peter conversa com seu patrão cego e este afirma qualquer coisa extremamente vaga sobre “não precisar de olhos para ver”, o elemento mágico do encontro do casal em seus sonhos é transformado em um elemento do apelo romântico do filme, despido de qualquer relevância mística ou esotérica que, eventualmente, possa vir a ter nas páginas do romance – que não li e que, assim como as legendas para o filme, só encontrei em inglês.

Recomendável à qualquer um que tenha interesse em histórias de amores impossíveis e/ou em sonhos e seus supostos aspectos sobrenaturais. No mais, é um filme que não desafia nem estimula a inteligência, mas que pode, eventualmente, encantar pela delicadeza e intensidade da ideia de amor romântico que, desde os primeiros minutos, impregna o espectador através das figuras de Gary Cooper (Peter) e Ann Hardling (Mary).

Sobre Vítor Costa

Um insistente amador na arte do pensamento. Acha que a existência é feita da mesma matéria que compõe os sonhos. E que cada situação é uma ocasião de aprendizado. Mas que podemos, sim, estar à deriva num infinito de absurdo.
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