Loomer – You Wouldn’t Anyway

Saiu! “O” disco da Loomer, banda portoalegrense representante privilegiada da sujeira e da barulheira no cenário do rock independente brasileiro. Saiu e veio com a força que era necessária desde aqueles dois inesquecíveis e necessários EPs lançados em 2009 e 2010, já gastos pelos nóias que os escutam há anos na expectativa do álbum.

Capa do álbum, arte de Itapa Rodrigues.

Capa do álbum, arte de Itapa Rodrigues.

A primeira faixa, “Slow Dream”, já frita a guitarra por um minuto e meio, como se estivesse avisando o que vem pela próxima meia hora. “Mammoth Butterfly” realiza o que “Search on Your Own” já esboçava no EP “Mind Drops”, de 2009: vocais melódicos mergulhados em nebulosas camadas de guitarras, trilha perfeita para tardes de sol ociosas. “Jam” é um sussurro curto, de menos de dois minutos, frágil como aquele estado entre o sonho e o despertar.

“Silent Noise” rocks! Daquelas canções que estará em mixtapes zipadas por shoegazers pelo mundo afora. Não é a mais barulhenta das faixas, mas é onde os caras da Loomer mostram simultaneamente todo o mérito e todo o débito com toda a cena barulhenta dos anos 90: uma guitarra que nos joga de imediato no Sonic Youth da fase entre “Sister” e “Goo” (a minha preferida). E, !@#$%, a faixa termina com fade out! Uma joia. E para não desmerecer a faixa seguinte, “Snow Flake” nos afunda ainda mais nas influências da Loomer, fazendo imediatamente lembrar “Star Power” de um Sonic Youth que ainda aprendia a fazer um mínimo de sentido.

“Dark Star”, em suas primeiras frases e acordes, já nos atinge em cheio no coração. O baixo no começo de “Not so Wrong” me lembrou imediatamente “Two Kinds” do Film School, mas a probabilidade de ser uma coincidência na cabeça de um devorador compulsivo de shoegaze é maior do que a de que Film School tenha sido uma influência. “Painkiller” é completamente punk: com menos de dois minutos, é rápida, nervosa e se não fosse pela dificuldade de “pogar” olhando introspectivamente para os próprios pés, animaria uma festa punk. Imediatamente seguida pela talvez mais onírica das canções do album, “Road to Japan”. O disco finaliza de modo apoteótico com “Mushroom”, que tem uma clara levada obscura, nitidamente post-punk, que nos catapulta mentalmente para um cenário de fábricas abandonadas, com pôsteres rasgados para shows do The Jesus and Mary Chain em cada poste.

Meus cumprimentos aos membros da banda, que mantiveram a identidade anunciada nos EPs e souberam montar um disco que ao mesmo tempo em que parece se desvincular um pouco da nave-mãe de todo o shoegaze (o My Bloody Valentine, que também lançou disco esse ano, fato que já comentei aqui), só fez reafirmar os contornos que definem suas nuvens de sujeira. Segue abaixo link para o site da Sinewave, onde o disco pode ser baixado gratuitamente.

Da esquerda para a direita: Stefano (voz e guitarra), Guilherme (bateria) e Richard (guitarra). A banda também conta com Fernanda Schabarum (baixo).

Da esquerda para a direita: Stefano Fell (voz e guitarra), Guilherme Figueiredo (bateria) e Richard la Rosa (guitarra). A banda também conta com Fernanda Schabarum (baixo).

Download: http://sinewave.com.br/2013/11/loomer-you-wouldnt-anyway-2013/

Sobre Vítor Costa

Um insistente amador na arte do pensamento. Acha que a existência é feita da mesma matéria que compõe os sonhos. E que cada situação é uma ocasião de aprendizado. Mas que podemos, sim, estar à deriva num infinito de absurdo.
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Uma resposta para Loomer – You Wouldn’t Anyway

  1. Germano disse:

    Poxa, valeu mesmo por disponibilizar o material.

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