Entre Kant e Sartre

Há alguns meses não anoto nada de “filosófico” por aqui. Pois quero, brevemente, registrar que tenho mais e mais confirmado impressões que, há tempos, já me haviam surgido. Sem nitidez, não mereciam menção. Agora, contudo, depois da constante visita à certos textos – que conheci sobretudo em função da necessidade de suporte teórico para a prática docente – penso que seja conveniente garatujar tais impressões para, quem sabe, iniciar uma conversa com meus três ou quatro leitores (em cujas opiniões confio sempre que quero saber se ainda não perdi totalmente o bom-senso).

(Advirto que o tom do texto será consciente e deliberadamente ensaístico e frouxo em relação ao jargão acadêmico, embora não vá me eximir de discutir definições nos comentários da postagem, caso algum leitor [?] deseje esclarecimentos)

Ocorre que o filósofo cuja obra é meu objeto de pesquisa – Jean-Paul Sartre – é um filósofo do século XX, herdeiro de Husserl e Heidegger e famoso por ser o “capitão” do time dos pensadores existencialistas. Isso faz com que seu cenário e seus objetos de preocupação distem mais de um século daquele com o qual quero compará-lo: o gigante Immanuel Kant.

Kant é uma nascente de um rio que desaguará em absolutamente tudo o que há de relevante em filosofia ainda nos dias atuais. Embora não seja o único (talvez só Aristóteles se compare à Kant nesse sentido), Kant redefiniu para sempre o conceito de filosofia no final do século XVIII. Ensinou à uma tradição de mais de dois mil anos que o pensamento permanecerá irremediavelmente ingênuo enquanto não investigar suas condições de possibilidade. Sutilmente, julgou todos os que vinham antes – e avisou os que viriam depois – que antes de descrever ou explicar o mundo, urgia realizar a tematização do campo transcendental – isto é, o campo das condições de possibilidade do pensamento. Nas palavras de Ernildo Stein, Kant fez uma filosofia cuja preocupação era estritamente lógica-epistemológica, diametralmente oposta à filosofia ontológico-metafísica que até então era só o que havia sido historicamente feito. O mesmo Stein diz que o procedimento de Kant é um “encurtamento” da filosofia. O próprio filósofo de Königsberg talvez concordasse: antes encurtar a filosofia que permitir que ela continue sendo a disciplina na qual se pode livremente predicar sobre o desconhecido.

Esse desconhecido, aliás, é um problema. Um problema que irrita as mentes mais sensíveis, às quais o idealismo kantiano (ou suas variantes) cai indigesto como uma puríssima aguardente. Porque Kant radicaliza uma quebra já realizada por Descartes, a saber, entre realidade e natureza. Ao começar a filosofia pela certeza do “eu”, Descartes precisa recorrer à metafísica para garantir que o mundo que se dá para a experiência é, de fato, real – e não uma ilusão, um sonho, uma quimera qualquer plantada na mente (indiscutivelmente consciente de si mesma) do sujeito por um gênio maligno qualquer. A rigor, Descartes lança mão de uma prova da existência de Deus para garantir a realidade do mundo da experiência, da natureza.

Esse tipo de metafísica é, precisamente, o que Kant proíbe em sua filosofia transcendental. Para a prova da existência de Deus ser possível, Descartes precisa se comprometer com uma promissória que, hoje, nos seria muito alta, a saber, a de que já temos em nossa alma algumas ideias inatas. Mais precisamente, a ideia de Deus. Que inclui infinitude, perfeição e outros predicados especialíssimos, que só Deus pode ter. Em especial existência, elemento sem o qual a perfeição não é possível. Por uma espécie de lógica (da qual Hegel abusará pouco mais de um século depois), Descartes deduz a necessidade da existência de Deus. Para Descartes, Deus precisa existir. Para seus críticos mais mordazes, Deus só precisa existir para que seu precioso sistema epistemológico – e, portanto, o fundamento da ciência – tenha onde ser pendurado.

Kant não se comove com a argumentação cartesiana. Para o alemão, o conhecimento começa na percepção (como só o empirismo inglês poderia ensinar). A mente – ou a consciência, como convenientemente chamarei daqui por diante – só dá as formas aos objetos que se lhe aparecem. Em suma, há toda uma programação na consciência, mas esta é formal, e não material. Ou seja: não há como tirar Deus da cabeça, pois esta só possui algumas indicações formais sobre as condições para o aparecimento dos objetos que se lhe aparecem. E tais condições precisam da experiência para ser explicitadas. Eis o sentido do transcendentalismo: não é um voo puro e platônico para um céu inteligível, mas um exame lógico-epistemológico da experiência sensível organizada.

Assim, o mundo de Kant, para mim, fica mais ou menos assim:

Newton Pink Floyd

… No qual a mente é o prisma, a luz branca é a realidade em-si e as cores obtidas por refração são a natureza, o mundo dos fenômenos, o nível representacional da realidade. Repetindo: é a partição cartesiana levada à suas últimas consequências, já que a metafísica ingênua é impossível depois que descobrimos, com Kant e os empiristas, que o conhecimento começa pela percepção.

Para deixarmos Kant temporariamente, vale dizer que o filósofo de Königsberg não acha que a metafísica ingênua foi obra de reflexões caprichosas ou mal-intencionadas, mas apenas fruto da ingenuidade: por mais que nossa razão procure sempre as respostas definitivas para as questões mais fundamentais, um exame crítico das nossas capacidades de conhecer a realidade nos revelaria a impossibilidade – intrínseca – de respostas positivas à tais perguntas.

Agora, voltemos à Sartre.

Sartre não se vincula diretamente à Kant. Prefere Husserl e Heidegger. Husserl que, para Paul Ricoeur, é apenas um intérprete exageradamente consequente de Descartes: se em Kant ainda temos uma “realidade em si” que aparece como exigência para o pensamento – afinal, a experiência da consciência, embora relativa, deve ser experiência de alguma coisa – em Husserl temos um pólo de correlatividade intencional à consciência. Em um formalismo estratosférico, Husserl tem pretensões tão colossais quanto às de Kant. Contudo, se Kant troca a ontologia metafísica por uma abordagem lógica-epistemológica da consciência, Husserl não consegue fazer mais do que uma egologia ou, como disse um amigo, “uma exploração transcendental do sistema cartesiano, só que sem Deus”. Nem o menor vestígio de metafísica sobrevive na fenomenologia husserliana. Afinal, o mundo colocado em suspenso por Descartes não havia sido explorado, mas sacrificado à um despótico fundamento metafísico. Esse mundo era o rico mundo da vida da consciência!

Mas, Husserl era um matemático, um cientista formal. E só na França o apelo existencial da fenomenologia husserliana poderia se alastrar, como um incêndio. E, nesse sentido, Sartre é filho direto de Husserl.

Assumindo a fenomenologia de Husserl – e, consequentemente, elementos de cartesianismo – Sartre tenta radicalizar “ontologicamente” a fenomenologia (de um modo que Husserl provavelmente lamentaria profundamente!). Dado que à um fenômeno sempre se pode perguntar o que ele é, Sartre acha que da fenomenologia é possível saltar à uma ontologia. E é assim que temos mais um mundo dividido em dois reinos: o reino do ser Para-si (que é o nível ontológico da consciência) e o Em-si (que é o nível ontológico do fenômeno). De modo semelhante à Kant, há uma realidade que não se mostra em si mesma, e um nível posto em relevo pela consciência. A diferença é sutilíssima e, para mim, produz uma imagem mais ou menos assim:

Sun Behind Earth

… Na qual o planeta terra é o nível do mundo “em-si”, a luz (o sol) é a própria consciência e a parte iluminada pela consciência é o que se chama de fenômeno. Essa imagem me parece ser confirmada pela seguinte citação de O Ser e o Nada:

Conhecemos esta divertida ficção com a qual certos divulgadores costumam ilustrar o princípio de conservação de energia: dizem eles que, se ocorresse de um único dos átomos que constituem o universo ser aniquilado, resultaria uma catástrofe que iria estender-se ao universo inteiro, e seria, em particular, o fim da Terra e do sistema solar. Tal imagem pode nos servir aqui: o Para-si aparece como uma diminuta nadificação que se origina no cerne do Ser; e basta esta nadificação para que ocorra ao Em-si uma desordem total. Essa desordem é o mundo.

Ou seja: a consciência surge sobre uma realidade e a relativiza, iluminando com sentidos projetados (Sartre) ou refratando uma natureza organizada mediante categorias do entendimento (Kant). Embora ambas as metáforas eventualmente mereçam pesados ajustes, são mundos muito semelhantes. Embora sejam resultados de olhares e investigações distintas, orientados por princípios distintos, o existencialismo de Sartre e o esclarecimento de Kant tem, ao menos uma preocupação em comum: a liberdade – e, portanto, a dignidade – humana.

E embora eu já queira encaminhar essa postagem para um fechamento, preciso mencionar esse aspecto que demandaria toda uma exploração especial, dedicada à esse tema específico: a liberdade de Kant e de Sartre. Pois ambos são pais severos e castradores, quando nos ensinam que liberdade não é simplesmente fazer o que se deseja. Kant ensina que a verdadeira liberdade é a capacidade de se dar fins racionais, nos quais se exprime nossa dignidade humana. Sartre, mais de um século depois, apenas sugere que a vivência autêntica da liberdade exige assunção da responsabilidade pelo que se faz e, consequentemente, pelo que se é. Ambos acreditam que a ação deve exprimir (ou já exprime, queiramos ou não) um modelo de humanidade. Ambos precisam confiar na separação cartesiana entre o espírito e a natureza, para que nos definamos pelo primeiro e para que alcancemos nossa dignidade orientando nossa vida por e para ele.

Para concluir,  confesso que a imagem do prisma de Newton aplicado à filosofia transcendental me veio de uma frase de Schelling, que afirma precisamente que não somos cristais refratários em função de nossa inexorável liberdade.

Sobre Vítor Costa

Um insistente amador na arte do pensamento. Acha que a existência é feita da mesma matéria que compõe os sonhos. E que cada situação é uma ocasião de aprendizado. Mas que podemos, sim, estar à deriva num infinito de absurdo.
Esse post foi publicado em Despojos, Filosofança e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Entre Kant e Sartre

  1. Rafael disse:

    Boa tarde, Vitor

    Li sua postagem com a mesma atenta curiosidade que venho nutrindo, em frentes diversas, pelo pensamento dos dois autores em jogo. De outra perspectiva, apesar das características da educação formal que compartilhamos na UFSM e também em razão dos tipos de leitura que eu faço – quase todas ligadas à escola hermenêutica -, eu não posso afirmar que conheço verdadeiramente Kant. Na mesma toada, Sartre eu conheço apenas de maneira fragmentada, pela voz da tua própria narrativa, sem nunca ter lido verdadeiramente texto algum dele. Não tenho pressa, e não haveria razão de ser em uma pressa deste tipo: aos poucos vou corrigindo as lacunas da minha formação pessoal.
    Em todo caso, é este mesmo desejo pessoal de preenchimento de lacunas que me leva a te fazer algumas perguntas (iniciais?) a respeito da tua interpretação de Kant – perdoe-me pelas frequentes confusões terminológicas.

    (i) Você afirmou que Kant “ensinou à uma tradição de mais de dois mil anos que o pensamento permanecerá irremediavelmente ingênuo enquanto não investigar suas condições de possibilidade.” A minha atenção se voltou imediatamente para o uso da palavra “pensamento” nesse contexto de descrição do projeto transcendental kantiano. Em primeiro lugar, não são as condições de possibilidade do CONHECIMENTO (itálico não existe nos comentários, infelizmente) que estão sendo investigadas? Em segundo lugar, Kant afirma que pensamento e conhecimento são a mesma coisa? Isto é, a capacidade do ser humano de conhecer e sua capacidade de pensar são a mesma coisa? São duas atividades do espírito iguais, equivalentes ou que, no mínimo, podem ser reduzidas uma à outra, dependendo do caso?

    (ii) O que tento te apresentar nesta pergunta é, em sua maior parte, um argumento apresentado pela Hannah Arendt em “A vida do espírito” – e já aviso desde cedo que não sei se terei competência para me fazer claro.
    Pois bem, como você sabe Kant separa (?) Razão e Entendimento/Intelecto. Em relação à Razão, Kant adverte que esta não pode deixar de pensar certos objetos. E ele escolhe, para dar consistência ao seu argumento, objetos que são exemplares do que ele deseja mostrar: Deus, Liberdade e Imortalidade. Isto é, mesmo que não possamos ter conhecimento (!) a respeito destes objetos, a razão humana, esta ladina, não escapa de pensar (e eventualmente divagar e fazer filosofia) objetos que não estão dados à percepção sensorial porque, segundo sugestão de Kant, os seres humanos têm interesse existencial neles – e embora Kant tenha escolhido estes objetos em específico, poderíamos imaginar coerentemente que ele poderia adicionar ao seu argumento qualquer outro objeto que não está dado aos sentidos. Em todo caso, se não estão dados à percepção, não pode haver conhecimento a respeito deles, é claro. Mesmo assim, para Kant, a necessidade da razão é “mais do que a mera busca e o desejo de conhecimento” (esta passagem está nos Prolegômenos, só tenho a citação indireta – quando uma edição cair em minhas mãos faço a pesquisa). É preciso estar atento, creio, ao relativo desprezo que o uso da palavra “mera” parece indicar. Nem tudo se trata de conhecimento! Aparentemente, Kant tem em mente outra atividade espiritual que não produz e não precisa produzir conhecimento. Com tudo isto em vista, não seria esta outra capacidade – que tem seu lugar na razão – determinante para a filosofia na medida em que esta última toma, frequentemente, como seu objeto de estudo, coisas que não são dadas à percepção? Ou, dito de outra maneira, qual é a nossa atividade espiritual que nos permite falar adequadamente desse interesse da razão?

    Abraço
    Rafa

    • Victor da Filosofia disse:

      Pô Padilha, obrigado pelo comentário. Até parece encomendado, de tão oportuno. :)

      Bueno,
      Acho que Kant, de fato, em sua célebre CRP, está preocupado com “conhecimento”, sim. Acho mesmo que por diversas razões ele não teria condições de tematizar nada tão fundamental quando “o pensamento” em geral – ou mesmo “a consciência”, “a vida do espírito”, etc. A CRP responde uma demanda específica, me parece. Não é por acaso que o Idealismo Alemão vai enveredar por um caminho que seja o de realizar uma filosofia que seja Ciência, e não mais apenas “amor ao conhecimento”.

      No entanto, tua citação parece sugerir algo que vai na mesma direção que essa minha formulação imprecisa: mesmo que eu o tenha dito por descuido, Kant teria então ao menos vislumbrado que o pensamento é algo maior e mais profundo que os atos cognitivos? Se esse é o caso, dou mais razão à Ricoeur quando esse diz que “Kant funda e limita a fenomenologia, Husserl a realiza”. E talvez não só a fenomenologia, claro.

      A tua última pergunta, no entanto, é francamente desafiadora. Como nomear essa “atividade” espiritual? Eu, como sartreano (e portanto husserliano [e portanto cartesiano]) gosto da palavra “consciência”. Arrisco dizer que Sartre joga dentro dessa consciência cartesiana alguns elementos da “compreensão” heideggeriana – não sem prejuízos, evidentemente. Mas estou inclinado à considerar, acompanhando Ricoeur, que essa consciência fenomenológica não refuta, mas “amplia” e complementa a subjetividade transcendental kantiana.

      Não sei se te respondo. De qualquer forma, aprecio que o diálogo tenha se estabelecido. Motiva-me à continuar postando essas reflexões.

      Abraço!

  2. quemsera disse:

    Comentarei mais em relação ao comentário de vocês do que da postagem em si. Mas, vamos lá.
    Primeiro, sobre o texto. Achei um texto bom, mas bem disperso, obviamente. Não que isso tenha qualquer problema, ainda mais porque é um blog. Mas, isso abre flancos. Também me fez pensar, novamente, qual o estatuto do que se pode chamar de historicidade na filosofia. Por exemplo, Sarte, me parece, pegou mais um substrato da herança pós Ser e Tempo do que propriamente influenciado diretamente por Heidegger. Digo isso porque, em conjunto com tua outra postagem, sobre a radicalização da solidão a partir da fenomenologia, é possível como Sartre se influenciou pesadamente sobre a interpretação husserliana das Meditações (cartesianas). Falei de historicidade porque esse é meu ponto aqui. Em primeiro lugar, isso que situei em parte, quer dizer, sobre como se formam as correntes. Sartre, que radicalizou o existencialismo e tornou-se porta voz, foi muito pouco influenciado diretamente por um dos criadores dessa perspectiva no sec. XX (Heidegger, no caso).

    Sobre os comentários. Falarei meio por cima. Em primeiro lugar, não tenho como discutir Kant. Mas, apenas penso que não é exatamente o conhecimento o problema dele. É sim a limitação do conhecimento, das metafísicas que são ‘atoradas’ e sobra-se a natureza – subjetividade. Ao investigar todas essas condições de possibilidade – e na verdade tentar salvar o que restou do barco depois da revolução chamada Hume – se chega ao projeto das Críticas, e que não sei discutir aqui. Contudo, penso que o porquê de se enveredar ao Idealismo transcendental foi justamente o fato de Kant não ter ousado o suficiente, e não pelo fato dele investigar o conhecimento. E, notem bem, “ciência” em alemão (Wissenschaft) se refere a qualquer conhecimento rigoroso e sistemático, que não necessariamente é ciência tal como entendemos – Então, o idealismo alemão ampliou ao absoluto, tudo -. É nesse sentido que Heidegger também diz que a filosofia é Ciência – ainda que eu prefira não usar o termo.

    Pra finalizar, em relação à fenomenologia ser hermenêutica e ontologia. Alguns comentadores chamam a região da existência, o ser humano (Dasein, ou o que seja), como o espaço da subjetividade transcendental, pra justamente resgatar essa relação com Kant, mas pós Husserl. Mas, enfim, só queria finalizar comentando que essa fixação por pensar uma origem é bem complicada. Essa passagem do Sartre por exemplo, pra explicar o acontecimento do Dasein, a formação do mundo, consciência, etc., é mais ou menos como na hermenêutica se entende o conceito de herança. Não há porquê, mas há história, destino e responsabilidade. Não há ousia,mas há essência história, etc.

    Enfim, perdão se alonguei demais.
    É um prazer dialogar novamente com a Inconnu.
    Abraço’s!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s