As mãos dadas III – O adeus ao subsolo

Algumas histórias são difíceis de contar. É difícil saber onde elas começam, onde terminam. Mais do que isso: é difícil dizer a que gênero de histórias pertencem. Ainda mais do que isso: desde o momento em que estão sendo vividas, algumas histórias – ainda em sua condição embrionária de vivências – já anunciam que talvez serão para sempre estranhas, excêntricas, de natureza indeterminada.

Esse sentimento – de que é difícil elaborar a narração de certas histórias – é apenas uma estrela em uma constelação afetiva muito maior. Algumas pessoas consideram difícil contar histórias porque aquilo que vivenciaram não parece familiar. Os fatos não parecem conectados e o mundo e a vida se apresentam como uma totalidade indiferenciada, confusa, estranha. Esse era o sentimento predominante de Clarissa nos períodos em que sua memória se escondia de sua consciência e ela não conseguia se lembrar de quem ela própria era.

Houve uma época da amnésia de Clarissa em que ela trabalhou junto com Alex e Estela no café-tabacaria deles. Atendia os clientes, os ajudava na cozinha e no caixa. Era ela a encarregada de, eventualmente, fazer as compras daquilo que também eventualmente faltava no estabelecimento. Foi em um desses dias em que eu a encontrei.

Sempre fiz questão de não frequentar muito o café-tabacaria de Alex e Estela. Assim, estávamos Sofia e eu em uma lanchonete próxima ao café-tabacaria quando Clarissa passou. Havíamos convidado Lilah para passar algumas horas conosco naquela tarde. Foi quando decidi que as histórias de Clarissa e seu pai mereciam ser narradas. Lilah simplesmente havia me intimado: eu devia escrever um livro! Prometi que o faria, embora tenha mentido (desculpe Lilah!). Logo depois dessa promessa, vimos Clarissa passando na rua.

– Chame a menina para sentar conosco por uns instantes. – Sugeriu Sofia, com um riso doce e os lábios levemente corados pelo vinho.

– Clarissa está trabalhando agora. – Respondi, sem conseguir disfarçar que não tinha vontade de conversar com a jovem naquele momento.

– Esperem… – Disse Lilah, rindo com surpresa e empolgação. – Vocês estão dizendo que aquela é Clarissa? Que ela é real?

Apenas rimos. Para não ter de responder, gritei o nome de Clarissa. A menina virou o rosto em nossa direção e então pôs-se à caminhar ao nosso encontro, com seu sorriso tão triste quanto completamente apaixonante. Sentou-se conosco. Apresentamos Lilah à menina e perguntamos como estava o trabalho, como estavam Alex e Estela.

– Está tudo bem. Acho que eles estão trabalhando demais, talvez. Mas tudo vai bem.

Não era verdade e eu sabia que não era verdade. Mesmo Sofia e Lilah, que não a conheciam direito, podiam perceber que não estava tudo bem. Eu sabia que Clarissa estava vivendo sob o fogo cruzado das intermináveis brigas do casal, e que a despeito de tudo era consumida por uma saudade inominável e estranha de seu pai, de seu perverso pai que tão mal ela própria conhecia.

Na época em que o pai de Clarissa encontrou a filha e percebeu que a jovem estava sem memória, deixou a menina sob os cuidados de Alex. Alex já vivia com Estela e já considerava suficientemente pesado ter de conviver com uma alma destruída. Considerava que Estela se tornara uma mulher ressentida e dominada por ódio em função do convívio com o pai de Clarissa. Quando este delegou à Alex os cuidados de Clarissa, o rapaz pensou em se revoltar, em despejar todo seu rancor sobre esse Demiurgo, esse gênio maligno, esse enxadrista perverso que era o pai de Clarissa. Mas, em sua cruzada pessoal contra os próprios ressentimentos, Alex respirou fundo e aceitou. Sem esconder a raiva do olhar, aceitou Clarissa em sua casa. Preferiu conceder de forma servil às vontades do pai de Clarissa.

(Em uma história anterior onde Alex aparecia, um amigo me disse que sem saber eu reescrevia o Livro de Jó, embora sem redenção possível para o personagem. Demorei, mas depois de reler algumas histórias sobre Alex, admiti para mim mesmo: Alex é um Jó contemporâneo, uma espécie de Jó que não vê a hora de que as provações do diabo – o pai de Clarissa – terminem logo.)

Após alguns minutos de conversa descontraída, Clarissa pediu desculpas e disse que tinha de ir ao armazém, pois faltava açúcar no café-tabacaria. Arriscou uma interpretação da situação dizendo que talvez Estela não tenha comprado o açúcar porque queria irritar Alex: culpava-o pelo terceiro olho que havia nascido na testa dela na semana anterior.

– Eu não acredito… – Disse Lilah. – Estela é uma das pessoas em quem apareceu o terceiro olho?

– Sim. – Respondeu Clarissa, com os olhos fixos no chão, mas certamente perscrutando suas então poucas lembranças, todas referentes aos dias em que conviveu com o casal. – Mas ela já andava irritada antes disso acontecer.

– Nada pode ser mais oportuno para alguém cheio de ódio do que uma razão para o ódio. Esse terceiro olho é o menor dos problemas dessa moça… – Arriscou Sofia, com sua languidez habitual. Sofia já conhecia um pouco da história de Alex e Estela através de mim. Lilah e eu rimos e talvez Clarissa também, embora sem muita convicção. Quando a menina se foi, conversamos sobre a história dos terceiros olhos pois há uma semana, sem qualquer explicação aparente, uma em cada sete pessoas no mundo havia acordado com um terceiro-olho na testa.

– Essa moça, Estela, está no movimento dos três-olhos? – Perguntou Lilah.

– Sim. Está. Esteve mesmo na “marcha dos ciclopes” que acontecei aqui na cidade semana passada. Nunca a vi tão à vontade. Parecia ter nascido pra isso. Está muito envolvida, acompanhando de forma atenta as medidas governamentais de proteção dos ciclopes ao redor do mundo. Acha que em nosso país as pessoas com o terceiro olho serão prejudicadas e oprimidas e que as leis elaboradas são insuficientes e mesmo equivocadas.

– Naturalmente… Tudo estará sempre insuficiente e equivocado para ela – Disse Sofia, ajeitando o óculos e bebendo mais um gole de vinho, enquanto acendia outro cigarro discretamente, para que o garçom não nos visse fumando. – Pois se seus problemas fossem resolvidos ela perderia a razão da queixas. Teria de se olhar no espelho e ver apenas a nuvem de mágoas que precisa manter coesa para que ela própria não desapareça. – Disse Sofia, rindo laconicamente. Lilah também riu e disse que Sofia era uma espécie de Dorian Grey. O garçom percebeu a fumaça que emanava de nossos cigarros e risadas e ordenou que apagássemos os cigarros (e as risadas também, me pareceu), pois se quiséssemos fumar em ambiente fechado havia um café-tabacaria, onde era permitido fumar, há uns duzentos metros dali. Sofia disse que seria uma boa alternativa. Jogou uma nota de dinheiro sobre a mesa e, sem apagar o cigarro, me convidou para irmos justamente para o café-tabacaria. Embora não tivesse a menor vontade de ver Alex e Estela, aceitei. Lilah disse que tinha outros compromissos e reafirmou: eu devia escrever um livro. Confesso que já começava a considerar seriamente a ideia. Saímos de onde estávamos e Sofia e eu nos dirigimos para o café-tabacaria de Alex e Estela. Encontramos Clarissa voltando para o estabelecimento e acompanhamos a menina. Esta entrou cabisbaixa. Alex nos viu e moveu levemente a cabeça, em cumprimento, como se esta pesasse quinhentos quilos. Estela, que já teve o mais lindo par de olhos tristes, agora nos fulminava com um olhar lançado por três olhos raivosos.

• • •

Penélope estava, com Estela, na “marcha dos ciclopes”. Diferentemente de Estela, porém, Penélope não tinha acordado com um terceiro olho na testa. Era apenas solidária à causa dos ciclopes, como era solidária à muitas causas.

Meses antes de determinar que Clarissa ficaria sob os cuidados de Alex, o pai de Clarissa havia pedido que Penélope cuidasse da menina. Penélope, na época, havia justamente se separado de Alex por estar apaixonada pelo pai de Clarissa e não imaginava que tanto tempo depois, por intermédio de Estela, reencontraria Alex. Aconteceu quando Estela convidou a nova amiga para um café em seu estabelecimento. Qual não foi a surpresa quando os olhos de Penélope encontraram os de Jó, digo, os de Alex. Estela não imaginava que Alex e Penélope já se conheciam e apenas achou um pouco estranho que Clarissa reconhecesse Penélope, ainda que graças à sua amnésia o reconhecimento não pudesse ser mais do que uma vaga impressão de conhecê-la.

Penélope se sentou ao balcão e pediu uma xícara grande de café expresso sem açúcar e acendeu um cigarro. Sua expressão não era a de quem reencontrasse um grande amor nem tampouco a de alguém que sentisse culpa por tê-lo deixado. Era, pelo contrário, uma expressão quase beatífica, mista de serena cumplicidade e um estranho mas evidente cansaço.

Ao perceber que Alex e Penélope conversavam de modo quase animado, Estela voltou da cozinha e acendeu um cigarro, ficando ao lado de Alex atrás do balcão, determinando daquele momento em diante que Alex não ficaria à sós com a bela moça. De forma enérgica começou então a tecer comentários sobre a marcha dos ciclopes e sobre a luta nascente das pessoas de três olhos. Afirmava, com veemência e entonação adequadas ao papel de militante, que não compreendia como Alex não se sentia empático e inclinado à defender a causa dos ciclopes.

– Eu não consigo controlar minha indignação, nem quero. Sinto uma raiva tomar conta de mim quando vejo essa gente má nos tratando como se fôssemos diferentes por termos o terceiro olho. Acredita que há relatos de que o olhar do terceiro olho tem até mesmo uma função medicinal? Há comunidades em Madagascar, na Indonésia e no Haiti relatando que por lá os ciclopes estão sendo respeitados e até mesmo venerados! Aqui, temos que lutar por nossos direitos. Não há como não se indignar, não há como não se revoltar.

Estela, em suma, afirmava a onipotência de suas paixões políticas e morais: não, não podia controlar a própria indignação, a própria revolta. Tentava ser racional, mas o sentimento era mais poderoso. Era, em suma, uma afirmação viva de uma ideia quase mitológica: a ideia de que a vontade e as paixões se digladiam em nosso interior. Penélope conhecia bem esse modo de pensar e sentiu uma infinita preguiça de explicar para a nova amiga o quanto essa exortação das paixões não passava quase sempre de uma refinada maneira de dividir a própria alma com o intuito de não se responsabilizar senão por parte dela.

Todos conhecemos bem essa história: nossa alma tem partes e algumas são mais nobres do que outras. Platão foi o primeiro a dizer que a razão deve prevalecer sobre os desejos. O cristianismo levou essa ideia à sua apoteose: há anjos e demônios – falanges e legiões! – sussurrando em nossos ouvidos, disputando a influência das nossas almas, sedentos por nos salvar ou nos corromper, a despeito de nossas preferências pessoais. A psicologia moderna, de forma mais elegante mas menos poética, sugere que a deliberação racional deve vencer as inclinações. Eis uma imagem do ser humano esclarecido: austero, íntegro, totalmente controlado e metódico, com um verdadeiro caldeirão infernal de impulsos fervilhando em seu subsolo, perfeitamente domado pelo poder da vontade.

Ora, essa fábula já viveu seus dias e talvez merecesse um lugar honroso nas prateleiras da história do pensamento. Mas não compreende nada da alma humana quem supõe que algum dia será possível superar essa figura dualista da alma cindida, pois em todos os tempos haverão multidões de pessoas interessadas em agir segundo desejos nos quais não gostam de se reconhecer. Onde quer que haja uma, uma única alma incapaz de assumir seus desejos, de se reconhecer mesmo nos mais impróprios, ou seja, onde quer que haja uma alma tirânica e embriagada pela imagem que faz de si, lá estará uma compreensão mistificada e inapropriada do desejo. É assim que Eros, esse poderoso aliado em nossa tarefa de exploração da existência, se transforma em inimigo mortal da tirania (e da covardia, que são irmãs gêmeas) e do narcisismo: é preciso que o desejo vexatório não seja meu, mas de um outro: da natureza humana, dos condicionantes sociais, do demônio! Mas não, não meu, jamais meu. Mas voltemos ao café-tabacaria, porque enquanto nos perdemos nessa meditação, Estela não parou de falar por um instante sequer. O que fez Clarissa, pela primeira vez – na memória dela, ao menos – perder o controle e a paciência.

– Estela, cale a boca! Você não percebe que ninguém mais aguenta você?

Clarissa abaixou a cabeça diante do olhar triplamente raivoso de Estela que, depois de Clarissa encontrou Alex como alvo. O rapaz, incapaz de tomar uma decisão que fosse, abaixou a cabeça da mesma forma que a jovem. Talvez se naquele instante o arrastassem como um cadáver de um lado para o outro ele não reagisse, tamanha sua apatia e dificuldade de tomar decisões nessas circunstâncias. Estela atirou no chão o pano com o qual secava uma xícara e saiu em passos firmes pela porta do café-tabacaria. Era a décima ou vigésima vez que fazia isso na semana. Clarissa, com os olhos marejados, subiu para o segundo andar, pois era onde ficava a casa de Alex e Estela.

– Pra onde Estela vai? – Perguntou Penélope um pouco desconfortável com a situação. Alex falou baixo, para que Clarissa não escutasse.

– Provavelmente para a casa da mãe de Clarissa. Lá ela pode falar o que quiser, vinte e quatro horas por dia, sem ser interrompida.

Penélope subiu para cuidar de Clarissa. Sofia e eu, depois de assistirmos aquela cena, decidimos que não voltaríamos tão cedo ao café-tabacaria de Alex e Estela. Naquele dia, porém, ficamos até o estabelecimento fechar. Não pudemos deixar de ouvir, como duas harpias empoleiradas, Penélope e Alex combinando de ir para a casa dela própria, com Clarissa. Pelos seus olhares eu poderia apostar que naquela noite Penélope e Alex fizeram amor como nos velhos tempos.

• • •

“Não existe a relação sexual”, disse Lacan certa vez. Ele poderia ter ido além e dito: não existe relação nenhuma. Ora, o que são as outras pessoas e mesmo tudo o mais no mundo senão meios para que um certo circuito se feche? E esse circuito tem o ponto de chegada no seu ponto de partida: o próprio eu.

Estela explicava para a mãe de Clarissa porque saíra tão indignada de casa naquela noite. Clarissa, por sua vez, explicava para Penélope e Alex que não queria ter perdido o controle e respondido daquela forma. Alex teria se desmanchado em justificativas para Penélope: teria contado, longamente, como deixou sua vida naufragar daquela forma. Mas sabia que a partida de Penélope tinha um significado secreto: ela própria abominava justificativas, de qualquer tipo, de qualquer natureza. Assim como não pedia explicações, não tinha a menor vontade de prestar contas de nada para ninguém, pois já havia descoberto mais um segredo da existência, mais um desses desconfortáveis: as pessoas acreditam no que quiserem, bem como só perdoam as faltas contra elas cometidas caso queiram perdoar. Explicações, justificativas, desculpas, nada disso fazia sentido nenhum pois não poderiam produzir uma desculpa, pois o mundo é apenas um meio através do qual nos relacionamos conosco mesmos, o tempo todo.

Evidentemente é difícil perceber que é consigo mesmo que cada pessoa se relaciona. Difícil porque desagradável. Difícil e desagradável porque essa percepção, como uma reação em cadeia, desmobiliza uma por uma nossas estruturas, nossos órgãos espirituais que se desenvolvem para preservar nosso eu na aventura da existência. A complexidade das relações, como um castelo de cartas, desmorona e põe a nu o núcleo a partir do qual se estrutura a personalidade de cada um de nós: escolhas.

Como eu disse antes, algumas histórias são difíceis de contar. Mas não para Penélope. Tendo operado essa transformação em si mesma é só muito raramente que ela se sente cativa dos próprios afetos (afinal, mesmo um observador treinado dos movimentos da própria alma tem seus momentos de sonolência e esquecimento). Quando Sofia e eu entramos, já um pouco embriagados, no café-tabacaria de Alex e Estela, vimos Penélope acompanhada do pai de Clarissa sentados à uma mesa. Acho que eu sou a única pessoa que ele olha com algum incômodo nesse mundo. Talvez seja porque ele sabe que é um personagem fictício, que a matéria de sua existência é minha imaginação. De qualquer modo, nos convidou para nos sentarmos com eles. Antes mesmo que nos instalássemos, Estela foi embora irritada como sempre e deixou Alex cuidando sozinho do bar. Providenciei que Alex também fosse embora, bem como todos os demais clientes. Pedi que Sofia acompanhasse Penélope e disse que seria divertido se elas se conhecessem melhor. Sofia me olhou com um olhar cúmplice, mas raro: o de quem pede para que eu não faça nada precipitado ou impulsivo – mesmo que saiba que em minha cabeça essa linguagem não passe de uma fábula. Também providenciei que o pai de Clarissa e eu, sentados naquele banco, não estivéssemos mais no café-tabacaria, mas no balanço que havia na frente da casa onde Clarissa morou em uma época que ainda não sei agenciar cronologicamente. Estávamos, enfim, o pai de Clarissa e eu olhando para a estrada infinita que se estendia em frente àquela casa solitária no meio dos nadas elíseos onde a concebi pela primeira vez.

– Estamos chegando no final, não é mesmo?

– Estamos.

Houve um silêncio. Olhávamos para o horizonte.

– Você vai seguir o conselho de Lilah? Escreverá essa história?

Acendi um cigarro. O pai de Clarissa fumava um charuto.

– Como eu poderia evitar? Eu já os amo. Não poderia mais viver sem vocês.

– Você está bêbado.

– Que seja. Isso não torna menos verdadeiro o que eu falei.

Continuamos fumando, em silêncio.

– O que faremos com Clarissa? – Perguntou o pai da menina.

– Você sabe muito bem. No final ela sempre voltará para você.

– Eu sei. De qualquer forma, obrigado. – Disse pela primeira vez, em dez mil anos, o pai de Clarissa. Houve mais um silêncio e ele se levantou. Eu permaneci ali sentado. Ele se virou pra mim e perguntou, pela primeira e última vez:

– Imagino que não nos veremos mais, estou certo?

– Está. – Respondi, o vendo enfim sorrir e desaparecer na bruma que havia descido sobre o lugar. Também tomei meu rumo, pois era preciso ajudar Clarissa a se lembrar de quem era. Era preciso ajudar Alex à despertar da personagem covarde e submissa na qual se transformara. Era preciso ajudar Estela à sair do curto-circuito de ressentimento no qual ela se metera. Eu também devia, desde aquele dia, um livro para Lilah. Também precisava ver Penélope, de vez em quando, ainda que fosse na forma de um pássaro negro no céu noturno. E era hora de voltar, pois Sofia estava grávida e nada nos fazia mais felizes naqueles dias do que caminhar de mãos dadas naqueles fins de tarde de outono.

Algumas histórias são difíceis de contar. É difícil saber onde elas começam, onde terminam. Mais do que isso: é difícil dizer a que gênero de histórias pertencem. E ainda mais difícil do que isso: é difícil de saber se elas acontecem em algum lugar do universo ou apenas em nossos pensamentos, se apenas em nossos pensamentos ou em algum lugar do universo.

Sobre Vítor Costa

Um insistente amador na arte do pensamento. Acha que a existência é feita da mesma matéria que compõe os sonhos. E que cada situação é uma ocasião de aprendizado. Mas que podemos, sim, estar à deriva num infinito de absurdo.
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